terça-feira, novembro 15

O horror económico

"Vivemos no meio de um logro colossal, de um mundo desaparecido que algumas políticas artificiais pretendem perpetuar. Os nossos conceitos de trabalho e consequentemente de desemprego - em torno dos quais gira (ou pretende girar) a política - já não tem substância: são milhões de vidas destroçadas, são destinos aniquilados por este anacronismo. A impostura geral continua a impor os sistemas de uma sociedade caduca, para que fique despercebida uma nova forma de civilização já a despontar, na qual desempenhará funções apenas uma pequena percentagem da população terrestre.
A extinção do trabalho passa por um simples eclipse, ao passo que, pela primeira vez na História, o conjunto dos seres humanos é cada vez menos necessário para o reduzido número de indivíduos que modelam a economia e detêm o poder. Descobrimos agora que, para além, da exploração dos homens, ainda havia pior e que, perante o facto de já não ser explorável a multidão de homens considerados supérfluos, cada homem no seio desta multidão pode tremer. Da exploração à exclusão, da exclusão à eliminação ...?"

A autora, Viviane Forrester, é romancista e ensaísta francesa, tem sido também crítica literária do jornal "Le Monde" e membro do júri do prémio literário Fémina.
Este seu livro tornou-se indiscutivelmente o maior êxito editorial em França, na época de 1996/97.
Foi lançado na sua tradução portuguesa numa conferência realizada na Gulbenkian pela autora e integrada num ciclo, de que já não me lembro o nome e ao qual assisti.

6 Comentários:

Às 15 novembro, 2005 01:15 , Blogger lazuli disse...

Arrepiante. Fez-me lembrar um campo de concentração, onde pululam fantasmas de seres humanos.
Lê-se e sente-se um assomo de horror. Desculpa a morbidez das palavras...

 
Às 15 novembro, 2005 01:21 , Blogger Betty Branco Martins disse...

Peter

Parabéns pelo teu post.

Tenho o livro desta grande senhora. E consegui ir sacar à net algo sobre ele.

“Uma Estranha Ditadura”

Um livro de Viviane Forrester.

Um pequeno excerto:

« (...) Somos intimados a combater 'défices públicos' que são, de facto, 'benefícios para o público': essas despesas consideradas supérfluas, mesmo nocivas, cujo único defeito é não serem rentáveis e serem perdidas para a economia privada, representarem cessações de lucros, insuportáveis para ela. Ora essas despesas são vitais para os sectores essenciais da sociedade, em particular os da educação e da saúde. Não são 'úteis' nem sequer 'necessárias': são indispensáveis, delas dependem o futuro e a sobrevivência de toda a civilização.»

Beijinhos

 
Às 15 novembro, 2005 09:50 , Blogger Peter disse...

Betty, o livro foi publicado em Portugal pela "Terramar" e lançado no dia da conferência.
Por essa altura,quando andava nos fóruns do SAPO, abordei o assunto nos temas da "parte de baixo",onde pululavam indivíduos, do tipo Monsieur Le Pen e quejandos.
Fui violentamente atacado. Que a Assistência Social não tinha razão de ser, que ele/s se se queriam tratar tinham de o fazer à sua custa, com o dinheiro que tanto lhes custava a ganhar (inagino!),etc e tal ...
Fuji a "sete pés".

 
Às 15 novembro, 2005 09:56 , Blogger Peter disse...

lazuli, citando:

"Como nos vamos livrar deles? Reformá-los não resolve, porque deixam de descontar para a Caixa Geral de Aposentações e diminui a receita do IRS. Só resta esperar que acabem por morrer."
Cavaco Silva, 2 de Março de 2002

 
Às 15 novembro, 2005 13:06 , Blogger lazuli disse...

Peter, parece-me que essa frase do Inefável foi publicada numa coluna do Público, numa zona de "frases da semana" ou do mesmo género. Fiquei com a página do jornal, lembro-me bem de a ter recortado.

 
Às 15 novembro, 2005 16:56 , Blogger LetrasaoAcaso disse...

Nada já me surpreende. Afinal não vivemos num sistema que esqueceu simplesmente o homem?

 

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