sexta-feira, novembro 11

Trinta dinheiros

No bengaleiro do mercado público
penduraram o coração.
Vestem o fato dos domingos fáceis.
Não têm rosto
têm sorrisos muitos sorrisos
aprendidos no espelho da própria podridão.
Têm palavras como sanguessugas.
Curvam-se muito.
As mãos parecem prostitutas.
Alma não têm. Penduraram a alma.
Por fora parecem homens.
Custam apenas trinta dinheiros.
(Manuel Alegre)

18 Comentários:

Às 11 novembro, 2005 18:29 , Anonymous Anónimo disse...

Não aprecio muito Manuel Alegre
Mas estão bonitas estas palavras

beijinhos
Lúcia

 
Às 11 novembro, 2005 19:05 , Anonymous zezinho disse...

Eu sou incondicional de Alegre. Estou a falar do Poeta. Relativamente ao político, o meu voto será para ele.
No meu editorial acabo por dizer o mesmo. Já o leste?

 
Às 11 novembro, 2005 19:31 , Blogger Peter disse...

Li um editorial sobre a Rebública.

 
Às 11 novembro, 2005 20:25 , Blogger Betty Branco Martins disse...

Olá Peter

Bom post!

Manuel Alegre nasceu em 1936 e estudou na Faculdade de Direito de Coimbra, onde participou activamente nas lutas académicas. Cumpriu o serviço militar na guerra colonial em Angola. Nessa altura, foi preso pela polícia política (PIDE) por se revoltar contra a guerra. Após o regresso exilou-se no norte de África, em Argel, onde desenvolveu actividades contra o regime de Salazar. Em 1974 regressou definitivamente a Portugal, demonstrando, nos vários cargos governamentais que tem desempenhado ao longo dos anos, uma intervenção fiel aos ideais da Liberdade.
A sua poesia foi e é um hino à Liberdade e, talvez seja por isso que é lembrada por muitos resistentes que lutaram contra a ditadura. É considerado o poeta mais cantado pelos músicos portugueses.


Canção tão simples

Quem poderá domar os cavalos do vento
quem poderá domar este tropel
do pensamento
à flor da pele?

Quem poderá calar a voz do sino triste
que diz por dentro do que não se diz
a fúria em riste
do meu país?

Quem poderá proibir estas letras de chuva
que gota a gota escrevem nas vidraças
pátria viúva
a dor que passa?

Quem poderá prender os dedos farpas
que dentro da canção fazem das brisas
as armas harpas
que são precisas?

(Manuel Alegre)

Beijinhos

(de vez em quando se apareceres em minha casa. Seria um prazer)!

 
Às 11 novembro, 2005 21:20 , Blogger Peter disse...

Betty, quero pedir muita desculpa e assumo "mea culpa" por ter descurado as "public relations", não só nos blogs que constam dos n/links, como e principalmente, em relação aos que são aqui presença habitual.
É tudo falta de organização minha. Tenho que progamar uma visita diária pelo menos a 3 blogs, porque pretender visitar-vos todos num dia, não dá.

Obrigado pelo poema de MA que enviaste. Não o conhecia. Não se pode conhecer tudo.

O título do poema que publiquei é significativo: "Trinta dinheiros".

Claro que o homem que adora comer "carapaus alimados" já tem a PR no papo. Esperemos que MA fique num honroso 2º lugar. Talvez isso lhe dê maior prominência dentro do PS (como eu sou ingénuo ...).

 
Às 11 novembro, 2005 21:58 , Blogger lazuli disse...

Contar-te longamente as perigosas
coisas do mar. Contar-te o amor ardente
e as ilhas que só há no verbo amar.
Contar-te longamente longamente.

Amor ardente. Amor ardente. E mar.
Contar-te longamente as misteriosas
maravilhas do verbo navegar.
E mar. Amar: as coisas perigosas.

Contar-te longamente que já foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te longamente como dói

desembarcar nas ilhas misteriosas.
Contar-te o mar ardente e o verbo amar.
E longamente as coisas perigosas.

"Anunciação" - Manuel Alegre

 
Às 11 novembro, 2005 22:14 , Blogger amita disse...

Quatro letras nos matam quatro facas
que no corpo me gravam o teu nome.
Quatro facas amor com que me matas
sem que eu mate esta sede e esta fome.

Este amor é de guerra.(De arma branca).
Amando ataco amando contra-atacas
este amor é de sangue que não estanca.
Quatro letras nos matam quatro facas.

Armado estou de amor. E desarmado.
Morro assaltando morro se me assaltas.
E em cada assalto sou assassinado.

Quatro letras amor com que me matas.
E as facas ferem mais quando me faltas.
Quatro letras nos matam quatro facas.

"As Facas" - Manuel Alegre

 
Às 11 novembro, 2005 22:33 , Blogger Peter disse...

amita, li no DN o artigo de VGM, de quem não gosto, em que defende CS e ataca MS. O primeiro pode ser politicamente o mais indicado na difícil situação económica que atravessamos, mas sempre me foi profundamente antipático e pretensioso.
Quanto ao segundo, já o ouvi falar na TV em "avançar para a frente". Como não sei o que é "avançar para trás", não confio muito nas capacidades alardeadas pelo senhor.

Gosto dos versos de MA. Como candidato à PR será muito possivelmente, uma 2ª edição do que se passou com Maria de Lourdes Pintassilgo. Mas eu gosto dos versos dele, repito. Há portanto um elemento que nos une.

 
Às 11 novembro, 2005 22:38 , Blogger Peter disse...

lazuli, deduzo que também aprecias e muito, a poesia de MA.
Há algum tempo que não aparecias por aqui. Eu sei. Também eu estou em falta. Tenho de me "reprogramar" ...

 
Às 11 novembro, 2005 22:48 , Blogger lazuli disse...

Peter, este é o blog de estimação, salvo seja. Tenho andado a trabalhar nas "res publica" mas leio sempre todos os vossos textos. Não te preocupes com a programação.
Quanto ao MA..é a minha única opção. Saiu em verso..mas não foi com intenção. Beijinhos*

 
Às 12 novembro, 2005 00:53 , Blogger Peter disse...

lazuli, agradeço a tua preferência. Hoje visitei o teu blog.
Bom fds

 
Às 12 novembro, 2005 00:57 , Blogger amita disse...

Peter, tive de dar uma sonora gargalhada com o "avançar para trás" que mencionas. Eu também não sei, embora possa imaginar (lol). Achei curioso o artigo, principalmente por estar inserido no DN. Como tu, também gosto da poesia do Manuel Alegre. Quanto às hipóteses dele passar ou não, o tempo o dirá. Em jeito de partilha mando um outro soneto:

Amor é mais do que dizer.
Por amor no teu corpo fui além
e vi florir a rosa em todo o ser
fui anjo e bicho e todos e ninguém.

Como Bernard de Ventadour amei
uma princesa ausente em Tripoli
amada minha onde fui escravo e rei
e vi que o longe estava todo em ti.

Beatriz e Laura e todas e só tu
rainha e puta no teu corpo nu
o mar de Itália a Líbia o belvedere.

E quanto mais te perco mais te encontro
morrendo e renascendo e sempre pronto
para em ti me encontrar e me perder.


"Teoria do Amor" - Manuel Alegre

Uma boa noite a todos, bjinhos e um doce sorriso

 
Às 12 novembro, 2005 01:09 , Blogger Peter disse...

amita, o MA não tem apoios, nem "máquina" partidária, nem dinheiro.
Mas nós vamos dar-lhe o n/apoio, facultando-lhe espaço nos n/blogs.
Tudo menos o Rei Sol, ou o homem dos "carapaus alimados" (mas vamos ter que o gramar ...).

 
Às 12 novembro, 2005 02:37 , Blogger lazuli disse...

Peter, pois visitaste! Vi agora.
Gosto muito de passar na zona do Castelo, viveu lá perto um irmão meu, numa casa antiga com uma vista espectacular sobre a cidade. Essa vista compensava os cogumelos que nasciam nas paredes.

Bora apoiar o MA?
Segundo as previsões, parece que o do carapau fica logo no primeiro round...

 
Às 12 novembro, 2005 10:37 , Blogger Peter disse...

lazuli, pois fica, o prof ganha logo na primeira. Há muita gente rica, muitos interesses, utópicos que dispersam os seus votos, desinformados e "cagões" (os que pretendem segurança e que não se façam ondas) ...

Daqui até às eleições, haverá sempre no blog, uma foto e uma poesia do Manuel Alegre.

 
Às 12 novembro, 2005 14:49 , Anonymous zezinho disse...

Não passam d meras sondagens. Poderão ser um indicador. Mas é de sublinhar que o Prof. Cavaco já perdeu 4 pontos percentuais desde o anúncio da candidatura.
Acredito numa segunda volta com Manuel Alegre e na consequente vitória deste com a esquerda em peso a votar nele.

 
Às 12 novembro, 2005 15:28 , Blogger Peter disse...

zezinho vê o que fazes:
"com a esquerda em peso a votar nele"

 
Às 13 novembro, 2005 00:32 , Blogger Su disse...

às vezes nem Alegre nem triste
jocas maradas

 

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