sexta-feira, novembro 9

Recortes de jornais 4

«Se há 2 milhões de pobres em Portugal, todos temos dois problemas: o problema da pobreza e o problema da consciência.
O maior responsável pela pobreza em Portugal é o Estado. O Estado consome, de modo insensível, metade da riqueza que produzimos.
O desperdício do Estado chegaria e sobraria para trazer o nosso nível de pobreza, pelo menos, para o nível europeu. (...)
Mas as culpas do Estado não evitam que tenhamos também um problema de consciência. (...)
Os empresários e gestores de recta consciência não podem ficar indiferentes ao indicador que os informa que parte dos pobres é gente com emprego. No fundo, parte dos salários que são pagos em Portugal mantêm o trabalhador na pobreza.»

(António Pinto Leite, "Pobreza e Consciência", in "Expresso" de 27 de Outubro de 2007)

26 Comentários:

Às 09 novembro, 2007 12:26 , Blogger Marreta disse...

Temos dois problemas. Logo o primeiro é o facto de aos políticos que ocupam o poleiro não lhes afectar a consciência o facto de existirem 2 milhões (para mim são mais, embora alguns andem camuflados) de pobres.
O segundo tem a ver com a (in)consciência de todos nós que os colocamos periódicamente no lugar onde estão.
O Estado desbarata recursos e provoca pobreza?
Privatize-se o Estado e nacionalize-se a economia.
Gestores bons é o que não nos falta e estão aptos a funcionar nas duas modalidades...
Saudações do Marreta.

 
Às 09 novembro, 2007 12:28 , Blogger Vieira Calado disse...

Olá, amigo Peter.
Sabe-se, é da tradição, os cometas trazem malefícios mas também graças.
Pode ser que a Nossa Senhora esteja para aí chegar, encavalitada no Holmes, para nos vir salvar, com em 1917.
Um abraço

 
Às 09 novembro, 2007 14:07 , Blogger Peter disse...

Um exemplo, tirado de um blog dos n/links:

As Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC), há quem as designe de Actividades de Empobrecimento Curricular, nasceram tortas e o modelo adoptado contribui para o empobrecimento dos professores. A trabalharem desde Setembro a «Recibo Verde» e sem receberem um cêntimo pelos seus serviços desde Julho, é absolutamente inaceitável. Não sei se esta situação se está a passar em todo o país. Em Viseu esta é uma realidade dramática.

 
Às 09 novembro, 2007 14:43 , Blogger Tiago R Cardoso disse...

Pois mas tivemos por ai um ministro a gabar-se lá fora que, os empresários estrangeiros deviam investir em Portugal porque os salários eram baixos.
Parece que tem muito empresário e incluindo o proprio estado que gostam da situação.

 
Às 09 novembro, 2007 14:50 , Blogger António disse...

Pois eu cá acho que os principais responsáveis pela existência de um elevado índice de pobreza em Portugal...são os portugueses!
Todos!

 
Às 09 novembro, 2007 14:59 , Blogger Peter disse...

António

Não generalizemos. É fácil falar de "barriga cheia".

 
Às 09 novembro, 2007 15:01 , Blogger Papoila disse...

Provavelmente a Economia e Finanças do Estado deviam ser entregues a uma Gestão Empresarial Privada com espírito de Missão e desenvolvimento Empresarial que apostasse nos Recursos Humanos. Não me sinto absolutamente nada culpada porque não votei nesta maioria... e sei que o número é concerteza mais elevado que os 2 milhões pois quem vive com um salário mínimo em Portugal é pobre... e há muitos portugueses nessa situação.
Beijos

 
Às 09 novembro, 2007 15:51 , Blogger Carreira disse...

Estas denúncias são fundamentais para despertar as consciências que parecem adormecidas.
Abraço.
José Carreira

 
Às 09 novembro, 2007 16:20 , Blogger Ant disse...

A eterna pescadinha de rabo na boca: Os patrões (públicos e privados) acham que não devem pagar mais Os trabalhadores (públicos e privados) acham que não devem trabalhar porque não recebem o suficiente... enquanto uns e outros não interagirem não passamos da cepa torta.

E deixem-se de gastar dinheiro em armamento e merdas assim que já podem resolver mais de metade do problema. Digo eu... na minha inocência

 
Às 09 novembro, 2007 17:18 , Blogger Betty Branco Martins disse...

Este comentário foi removido pelo autor.

 
Às 09 novembro, 2007 17:23 , Blogger Betty Branco Martins disse...

Olá Peter

Como estou completamente de acordo com a posição tomada pelo Manuel Alegre. passo a citar:

"Pobreza em Portugal é um facto estrutural"

O deputado socialista Manuel Alegre entregou, esta quinta-feira, uma declaração de voto sobre o Orçamento de Estado (OE) para 2008, em que questiona de que serve um défice de 3% se Portugal continua o país mais pobre da Europa.

À semelhança do ano passado, Manuel Alegre afirma nesta declaração de voto que o OE é uma das "circunstâncias excepcionais" em que um deputado "não deve quebrar o sentido de voto do seu grupo parlamentar", privando-se de "votar segundo a sua consciência".

No documento, o ex-candidato independente a Presidente da República manifesta "algumas discordâncias" em relação às políticas do Governo, destacando o número de portugueses com rendimentos abaixo do limiar de pobreza, "um em cada cinco", totalizando "dois milhões".

"A pobreza em Portugal é um facto estrutural que sucessivos governos ao longo dos anos não têm conseguido resolver".

"De que serve termos um défice de 3% se continuamos a ser o país mais pobre da Europa e o mais desigual a distribuir a sua riqueza".


O OE para o próximo ano foi aprovado na generalidade apenas pela maioria parlamentar do PS, com os votos contra de toda a oposição.

________eu não consigo (por muito boa vontade que tenha) vislumbrar uma atitude do Governo para que esta situação se altere. isto não é ser pessimista ____________mas sim realista. os portugueses continuam à espera "SEMPRE" e a pura demagogia que os políticos tanto gostam de aplicar_______nos seus discursos_________para atenuar e "adormecer" a dor_________da grande ferida que atormenta a maioria dos portugueses

beijo
BomFsemana

 
Às 09 novembro, 2007 18:41 , Blogger Blondwithaphd disse...

This is the 21st century and the problem is still here! My stupid/ignorant question: "Will this ever change?"

 
Às 09 novembro, 2007 19:35 , Blogger Peter disse...

"blond"

Probably not.

Transcrevo a intervenção de Manuel Alegre, citado pela "Betty":

"De que serve termos um défice de 3% se continuamos a ser o país mais pobre da Europa e o mais desigual a distribuir a sua riqueza".

 
Às 09 novembro, 2007 19:40 , Blogger Peter disse...

Pois é ANT:

"O Estado consome, de modo insensível, metade da riqueza que produzimos."

É o que escreve o APLeite, o que não significa que eu acredite nele ...

Políticos e está tudo dito.

 
Às 09 novembro, 2007 21:25 , Blogger SILÊNCIO CULPADO disse...

Belissímo post. É assim mesmo, amigo. Temos que dizer porque esta verdade dói de mais. Antes de vir aqui passei por noutro blogue amigo que tinha postado que os bancos lucram 8 milhões/dia. É assim a distribuição da riqueza. E não me venham com tretas. A solução do problema passa, em primeira mão, pelo Estado e não pela sociedade civil desempregada e empobrecida.

 
Às 09 novembro, 2007 21:32 , Blogger Meg disse...

Políticos, quem não os conhecer...

A sério,e muito,temos de levar o estado a que isto chegou. Só 2 milhões de pobres? E os que andam
por aí encobertos e envergonhados?
Esses mesmo, empregados e a trabalhar para receberem salários de miséria! Empresários e políticos...

Um abraço

Está difícil comentar, será que este entra?

 
Às 09 novembro, 2007 23:03 , Blogger SILÊNCIO CULPADO disse...

Perante uma grande sacanice que está a ser feita sobre alguns professores que não recebem vencimento,têm horários d e12 horas ou estão a recibos verdes sugere-se que todos os blogues publiquem a notícia que está no http://cegueiralusa.blogspot.com

 
Às 09 novembro, 2007 23:29 , Blogger Peter disse...

"silêncio culpado"

Já a coloquei num comentário aí atrás:

Um exemplo, tirado de um blog dos n/links:

As Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC), há quem as designe de Actividades de Empobrecimento Curricular, nasceram tortas e o modelo adoptado contribui para o empobrecimento dos professores. A trabalharem desde Setembro a «Recibo Verde» e sem receberem um cêntimo pelos seus serviços desde Julho, é absolutamente inaceitável. Não sei se esta situação se está a passar em todo o país. Em Viseu esta é uma realidade dramática.

 
Às 10 novembro, 2007 09:25 , Blogger quintarantino disse...

O artigo citado já o havia lido e gostei de o ver aqui retomado.

Penso que aos nossos homens do "Compromisso Portugal" e aos Ludgeros e afins este tipo de situação devia merecer não apenas palavras, mas também acções concretas.
Se afinal os trabalhadores portugueses conseguem elevados índices de produtividade no estrangeiro e até entre nós, será que a culpa de estarmos como estamos é só deles?
E que dizer dos que à mesa dos restaurantes mandam baforadas de charutos rindo como bácoros e gastando à mesa o que são capazes de negar a um chefe de família?

 
Às 10 novembro, 2007 09:47 , Blogger bluegift disse...

Pinto Leite tocou na verdadeira ferida da pobreza deste país: os salários pagos pelos empresários!
O português operário continua a ser pago ao nível do imigrante ilegal na Europa, comparativamente aos outros trabalhadores. A questão aqui é a de ter a coragem suficiente para aumentar o salário dos operários e diminuir o dos quadros superiores. Este é o país onde essa diferença é a mais acentuada. Poder-se-ia dizer que tal é motivado pela menor rentatividade dos operários, mas a verdade é que a dos outros trabalhadores não é muito melhor. Dos quadros superiores nem se fala... são tanto ou mais bem pagos que na velha Europa. Um escândalo!
Até que ponto a conhecida falta de confiança e dedicação às instituições justifica a situação? Não sei, mas dêm uma vista de olhos neste documento:
http://epp.eurostat.ec.europa.eu/cache/ITY_OFFPUB/KS-EI-06-001/EN/KS-EI-06-001-EN.PDF (sobretudo na página 20)
e vão compreender um pouco melhor a verdadeira razão do excesso de funcionários na função pública, apesar de a percentagem ser uma das inferiores da Europa, além do excesso de despesa do Estado (face ao rendimento obtido, leia-se). Há que correr com os parasitas que existem na função pública, de alto a baixo, mas há que pressionar os empresários da privada a diminuir o fosso entre operários e quadros. Assim talvez se comece a dar um grande passo no combate à pobreza.
Não falemos do despesismo da classe média, um dos mais elevados, pois que ainda daria pano para muitas mangas relativamente ao aumento da pobreza na classe média...

 
Às 10 novembro, 2007 10:02 , Blogger bluegift disse...

Quint, eu há algum tempo também afirmava isso, e acho que há alguma razão no que afirmas. Se os gestores são tão bem pagos, então, apresentem resultados. Mas não, o que importa é ser Sr. Dr. ou Engh. e lamber as botas do chefe, o resto não interessa muito.
Isto para te dizer que o nível de exigência e a pressão sobre o trabalho na Europa são muito mais elevados. Nós ainda herdámos a mentalidade da ditadura: trabalhamos se pressionados, de outra forma, estamos a lixar-nos para o trabalho, queremos é o ordenado no fim do mês. De uma forma geral é essa a mentalidade. Raras e honrosas excepções podem ser feitas. Até os juízes são assim!

 
Às 10 novembro, 2007 11:22 , Blogger Ant disse...

Ora o cerne da questão, bluegift: a herança que nos pesa.
Uns porque lhes dá jeito, outros porque esperam o tal sebastião que há-de vir comer tudo e dar porrada na mulher... ah espera esse era outro... ou não?
E que grandes comentários... davam outro post só com eles, Peter.

 
Às 10 novembro, 2007 12:16 , Blogger Peter disse...

Que excelentes comentários minha cara "bluegift":

"A questão aqui é a de ter a coragem suficiente para aumentar o salário dos operários e diminuir o dos quadros superiores. Este é o país onde essa diferença é a mais acentuada."

(...)

"Nós ainda herdámos a mentalidade da ditadura: trabalhamos se pressionados, de outra forma, estamos a lixar-nos para o trabalho, queremos é o ordenado no fim do mês. De uma forma geral é essa a mentalidade."

O "portuguesinho valente" e a "menina" que displicentemente faz o favor de nos atender (agora certas entidades e gerentes de lojas já estão de olho nessa atitude) não procuram TRABALHO, procuram EMPREGO, que são coisas completamente distintas.

 
Às 10 novembro, 2007 12:17 , Anonymous lucia disse...

eu entrei de mansinho sem querer fazer muito barulho:x

assim que tiver tempo, comento o post, e leio oque perdi.
nao tem sido facil.

beijo
lúcia

 
Às 10 novembro, 2007 12:21 , Blogger Peter disse...

Meu caro ANT, parece que se está a dialogar e que os comentários não são um simples "assinar o ponto".

A propósito:
- És apologista de forças de segurança desarmadas, ou referias-te aos submarinos?

Bem me parecia ...

 
Às 10 novembro, 2007 12:25 , Blogger Peter disse...

Lúcia

Tens uma (muitas ...) palavra a dizer.

 

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