sábado, abril 28

Uma história celeste de vida para além da morte

Com o auxílio do telescópio espacial Spitzer, foi possível observar o que se pensa ser poeira de cometas em torno da anã branca G29-38, que morreu há aproximadamente 500 milhões de anos.
Os cientistas estão a usá-lo como uma ajuda preciosa para a compreensão de como os sistemas planetários evoluem em conjunto com as suas estrelas anfitriãs.
Esta descoberta sugere que esta estrela (que provavelmente terá consumido os seus planetas interiores) tem ainda na sua órbita um anel de cometas e possivelmente também planetas exteriores.

Os astrónomos acreditam que as anãs brancas são os “esqueletos encolhidos” de estrelas que foram outrora semelhantes ao Sol. À medida que foram envelhecendo, após milhares de milhões de anos, tornaram-se mais brilhantes e eventualmente aumentaram de tamanho, tornando-se gigantes vermelhas.
Após milhões de anos, as camadas da atmosfera exterior das gigantes vermelhas foram dispersando-se pelo espaço, deixando para trás uma anã branca.

Ilustração artística de um cometa a ser desfeito em torno da estrela G29-38:


No nosso sistema solar, os cometas residem nas fronteiras exteriores e frias, em regiões conhecidas como a Cintura de Kuiper e a Nuvem de Oort. Estes objectos iniciam as suas jornadas periódicas até à vizinhança quente do Sol, apenas quando algo, um outro cometa ou um planeta exterior, causa distúrbios nas suas órbitas. Estas viagens geralmente acabam com a sua destruição. Os cometas desintegram-se lentamente à medida que se aproximam do Sol, ou então colidem contra a estrela. Ocasionalmente também colidem com planetas, como foi o caso do cometa Shoemaker-Levy 9 que mergulhou na atmosfera de Júpiter há muito pouco tempo.

Não há certezas, como sabemos: embora a poeira observada pelo Spitzer em torno da anã branca seja muito provavelmente restos de um cometa desfeito, poderão existir outras explicações:
- uma possibilidade é a de que uma segunda vaga de planetas terá sido formada muito depois da morte da estrela, deixando para trás uma zona de construção poeirenta.

“vida para além da morte”

(adaptado do “ASTRONOVAS”, OAL)

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3 Comentários:

Às 29 abril, 2007 00:32 , Blogger António disse...

Olá, Peter!
Há, naturalmente, coisas que não percebo muito bem, mas são sempre portadores de curiosas novidades estes posts astronómicos.

Obrigado pelo teu comentário à parte final da minha história d'"O tímido".
...e acho que já me tinhas agradecido anteriormente a nomeação para o TBA.

Abraço

 
Às 29 abril, 2007 14:28 , Blogger Papoila disse...

Peter:
Nem tudo percebi a não ser que as próprias estrelas têm vida para além da morte.
Beijo

 
Às 29 abril, 2007 16:38 , Blogger Peter disse...

Papoila

Tomemos o caso do n/Sol:
- daqui a alguns milhares de milhões de anos, vai tornar-se mais brilhante e aumentar de volume, tornando-se uma “gigante vermelha”.
Essa expansão leva-o a “engolir” os planetas interiores: Mercúrio, Vénus, Terra e, muito possivelmente Marte, que se transformam em camadas de poeira, expandindo-se pelo espaço em torno do núcleo residual: a “anã branca”, que foi o que restou da morte da “gigante vermelha”, juntamente com os planetas exteriores: Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno.
Esta camada de poeira, resultante da “morte” da estrela irá originar “vida”: uma nova vaga de planetas.

 

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