quarta-feira, abril 18

Timor, Austrália e petróleo …

A descoberta da Austrália no século XVIII por James Cook, que a reinvindicou para a Coroa Britânica, é hoje contestada. O jornalista australiano Peter Trickett, autor de um livro recentemente publicado: "Beyond Capricorn", descobriu numa livraria de Camberra um conjunto de mapas desenhados no começo do século XVI por Cristovão Mendonça, que teria navegado pela zona nos anos 20 do referido século.
"Os mapas fornecem provas esmagadoras de que os barcos portugueses fizeram essas ousadas viagens de descoberta no começo dos anos 20 do século XVI, depois de terem navegado junto à Austrália Setentrional para chegarem às ilhas das Especiarias, as Molucas", afirma o autor.

Sempre me fez confusão que tivéssemos descoberto Timor e durante todos aqueles anos que por ali andámos não tivéssemos encontrado um continente tão grande como a Austrália ...


(Vista de Timor Lorosae por satélite: origem NASA)


Ou talvez o “segredo” já tivesse começado aí:

- Cristóvão Mendonça, que haveria de terminar os seus dias como comandante dum forte localizado onde hoje se situa o actual Irão e cujas descobertas não são mais que uma nota de rodapé na nossa História, partira da nossa base em Malaca, com quatro barcos, numa missão secreta para encontrar a “Ilha do Ouro” que, segundo Marco Polo, se situaria a sul de Java.

Não a encontrou, mas teria cartografado toda a costa leste da Austrália até Botany Bay, Sydney e mais além. Sabe-se que quando do terramoto de 1755 se perderam muitos mapas portugueses que estavam arquivados na destruída Casa da Índia. Talvez se tivessem perdido alguns dos mapas agora encontrados. (*)

Em finais dos anos 60 do século XX, pessoa amiga viu em Suai, na administração do concelho, um poço de petróleo a céu aberto no quintal do administrador e donde este, por um processo rudimentar, extraía o combustível que utilizava nas viaturas a Diesel da administração. Suai situa-se na parte SW de Timor Leste e a cerca de 6 km da parte ocidental da ilha que, como se sabe, pertence à Indonésia.

Nessa altura o orçamento de Timor não pesava no do Estado Português, já que grande parte era pago por Macau, como “moeda de troca” por Timor autorizar manter nas suas prisões os presos de delito comum que não estava interessado em manter no seu território. Como se sabe, Macau retirava os seus enormes proventos a partir do jogo e não seria de “bom tom” a existência ali de prisões e de malfeitores.
Mas não só. A existência de petróleo em abundância já de há muito despertara a cobiça australiana a qual não teria mesmo hesitado em utilizar o seu dinheiro para evitar que os portugueses se antecipassem. Depois da independência e abstraindo das “reservas” que possam existir da parte de alguns sectores da opinião pública, sobre as opções políticas de Mário Alcatiri, Chefe do Primeiro Governo saído da Independência tão sofridamente alcançada, as negociações com os australianos foram favoráveis ao povo timorense que poderia vir a beneficiar dum razoável nível de vida.
Talvez estejam aqui as raízes de todos os incidentes que há um ano devastam Dili. Talvez …

No momento em que estão a decorrer eleições presidenciais no território, julgo oportuno lembrar quanto de coragem, perseverança e sofrimento o povo timorense teve de dar provas para alcançar o estatuto de Nação independente.
Seria bom que não deitassem tudo a perder e que o modo como nós portugueses nos unimos (como raras vezes tem acontecido) em torno desse projecto, não tenha sido em vão.

(*) – Alguns dados foram colhidos no “Courrier internacional” nº 105, de 05 a 12 do corrente.

6 Comentários:

Às 18 abril, 2007 09:35 , Blogger Ant disse...

De todo este interessante post a única coisa que me levanta questionamento é: mas nós andamos unidos em alguma coisa? :(
Abraços

 
Às 18 abril, 2007 17:29 , Blogger António disse...

Após um longo período sabático o Zecatelhado volta à “Nau”. Ora faça o favor de fazer uma visita à minha “casinha” porque a sua presença é sempre imprescindível.
Aquele @bração do
Zecatelhado

Agora em: www.marujinho.wordpress.com

 
Às 19 abril, 2007 15:04 , Blogger António disse...

Olá, Peter!
Mais um excelente artigo que dava para muitas horas de conversa de xaxa...
Vou só destacar um dos vários aspectos que referes e que justificariam um comentário.
A hipótese de os navegadores portugueses terem sido os primeiros ocidentais e chegar à enorme Austrália parece-me absolutamente plausível.
Pode ser que a História seja reescrita, nesse ponto.
Seria bom para o nosso ego colectivo.

Um abraço

 
Às 19 abril, 2007 15:11 , Blogger António disse...

Só mais uma coisa:
Nomeei este blog para receber o bonequinho "Thinking Blogger Award" sem qualquer dúvida quanto ao seu merecimento.
É natural que haja outros , ou mesmo muito outros que "façam pensar".
Mas eu conheço e leio só alguns do vasto universo blogueiro.
E o "Conversas de xaxa 4" teve o que merecia.
(o prémio não vale muito mas é sempre melhor receber do que ficar de fora)

Um abraço

 
Às 21 abril, 2007 07:27 , Blogger bluegift disse...

Nós somos demasiado "brandos" a vender o lado positivo da nossa imagem, pois o negativo encarregam-se os outros de agravar. Nem imaginas as enormidades que eu ouço. Imagina tu que o Damásio "é" americano! E esta é a mais leve de todas...

 
Às 21 abril, 2007 07:28 , Blogger bluegift disse...

Obrigada, António, em nome de toda a equipa do Conversas :)

 

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