domingo, abril 29

Seja o Cisne

De Roberto Shinyashiki

"Talvez o maior desafio da vida moderna seja sermos nós mesmos em um mundo que insiste em modelar nosso jeito de ser.
Querem que deixemos de ser como somos e passemos a ser o que os outros esperam que sejamos.

Aliás, a própria palavra "pessoa" já é um convite para que você deixe de ser você.
"Pessoa" vem de "Persona", que significa "máscara".

É isso mesmo: coloque a máscara e vá para o trabalho. Ou vá para a vida com a sua máscara.

Talvez o sentido do elogio: "Fulano é uma boa pessoa", signifique na verdade:
"Ele sabe usar muito bem a sua máscara social".

Mas qual o preço de ser bem adaptado?
O número de depressivos, alcoólatras e suicidas aumenta assustadoramente.
Doenças de fundo psicológico como síndrome do pânico e síndrome do lazer não param de surgir. Dizer-se estressado virou lugar-comum nas conversas entre amigos e familiares.

Esse é o preço.
Mas pior que isso é a terrível sensação de inadequação que parece perseguir a maioria das pessoas.
Aquele sentimento cristalino de que não estamos vivendo de acordo com a nossa vocação.

E qual o grande modelo da sociedade moderna?
Querer ser o que a maioria finge que é.
Querer viver fazendo o que a maioria faz.

É essa a cruel angústia do nosso tempo: o medo de ser ultrapassado em uma corrida que define quem é melhor, baseada em parâmetros que, no final da pista, não levam as pessoas a serem felizes.

Quanta gente nós não conhecemos, que vive correndo atrás de metas sem conseguir olhar para dentro da sua alma e se perguntar onde exatamente deseja chegar ao final da corrida?
A maior parte das terapias prega que as pessoas não olham para dentro de si com medo de encontrar a sua sombra.
Porém, na verdade, elas não olham para dentro de si por medo de encontrar sua beleza e sua luz.
O que assusta é o receio de se deparar com a sua alegria de viver, e ser forçado a deixar para trás um trabalho sem alegria.

Mas sejamos francos:
para quê manter um trabalho sem alegria?
Só para atender às aspirações da sociedade?

Basta voltar os olhos para o passado para ver as represálias sofridas por quem ousou sair dos trilhos, e, mais que isso, despertou nas pessoas o desejo de serem elas mesmas.
Veja o que aconteceu a John Lennon, Abraham Lincoln, Martin Luther King, Isaac Rabin?

É muito perigoso não ser adaptado!
Essa mesma sociedade que nos engessa com suas regras de conduta, luta intensamente para fazer da educação um processo de produção em massa.
Porque as pessoas que vivem como máquinas não questionam a própria sociedade.

A maioria das nossas escolas trabalha para formar estudantes capazes de passar no vestibular. São poucos os educadores que se perguntam se estão formando pessoas para assumirem a sua vocação e a sua forma de ser.
As escolas de música ensinam com os mesmos métodos as mesmas músicas.
Quase todas querem formar covers de Mozart ou covers dos Beatles.
É raro um professor com voz dissonante que diga para seus alunos: "Aqui você vai aprender idéias, para liberar o músico que existe dentro de você".

Os MBA's, tão na moda, na sua maioria, usam os mesmos livros, dão as mesmas aulas, com o objetivo não explicitado de formar covers do Jack Welch ou do Bill Gates.
O que poucos sabem é que nenhum dos dois fez MBA.
Bill Gates, muito ao contrário disso, abandonou a idolatrada Harvard para criar uma empresa na garagem, que se transformou na poderosa Microsoft.
Os MBA's são importantes para que o aluno aprenda alguns instrumentos de administração.

Mas alguém tem de dizer ao estudante: "Utilize essas ferramentas para implementar suas idéias, para ser intensamente você".
Quantos casos de genialidade que foram excluídos das escolas porque estavam além do que o sistema de educação poderia suportar.

Conta-se que um professor de Albert Einstein chamou seu pai para dizer que o filho nunca daria para nada, porque não conseguia se adaptar.
Os Beatles foram recusados pela gravadora Deca!
O livro "Fernão Capelo Gaivota" foi recusado por 13 editoras!
Caetano Veloso foi vaiado quando apareceu com a sua música "Alegria, Alegria!".
O projeto da Disney Word foi recusado por 67 bancos! Os gerentes diziam que a idéia de cobrar um único ingresso na entrada do parque não daria lucros.
O genial Steven Spielberg foi expulso de duas escolas de cinema antes de começar a fazer seus filmes, provavelmente porque não se encaixava nos padrões comportamentais e técnicos que a escola exigia que ele seguisse.
Só há pouco tempo é que ele ganhou um título de "honoris causa" de uma faculdade de cinema.
E recebeu o titulo pela mesma razão que foi expulso anteriormente: ter assumido o risco de ser diferente, por não ceder à padronização que faz com que as pessoas pareçam seres saídos de linhas de montagem.

A lista de pessoas que precisaram passar por cima da rejeição porque não se adaptavam ao esquema pré-existente é infinita.
A sociedade nos catequiza para que sejamos mais uma peça na engrenagem e quem não se moldar para ocupar o espaço que lhe cabe será impiedosamente criticado.
Os próprios departamentos de treinamento da maioria das empresas fazem isso.
Não percebem que treinamento é coisa para cachorros, macacos, elefantes.

Seres humanos não deveriam ser treinados, e sim estimulados a dar o melhor de si em tudo o que fazem.

Resultado: a maioria das pessoas se sente o patinho feio e imagina que todo o mundo se sente o cisne.
Triste ilusão: quase todo mundo se sente um patinho feio também.

Ainda há tempo!
Nunca é tarde para se descobrir único.
Nunca é tarde para descobrir que não existe nem nunca existirá ninguém igual a você.
E ao invés de se tornar mais um patinho, escolha assumir sua condição inalienável de cisne!"

(Recebido por mail. Espero que tenham chegado aqui)

6 Comentários:

Às 29 abril, 2007 16:54 , Blogger Peter disse...

Um artigo extremamente interessante e que li com prazer. Se anda por aí, eu ainda não o lera.

"A sociedade nos catequiza para que sejamos mais uma peça na engrenagem e quem não se moldar para ocupar o espaço que lhe cabe será impiedosamente criticado."

E, como qualquer peça defeituosa, deitado fora.

 
Às 29 abril, 2007 20:42 , Blogger Paula Raposo disse...

Cheguei até ao fim mas já o recebera por email, Ant. Fico contente porque não faço parte dessa engrenagem.

 
Às 29 abril, 2007 21:57 , Blogger Caiê disse...

Eu sou alienígena por natureza.

 
Às 30 abril, 2007 10:10 , Blogger bluegift disse...

O melhor é nos habituarmos logo desde pequenos a oscilar entre patinho feio e cisne, poupa muitas amarguras.

 
Às 30 abril, 2007 19:17 , Blogger augustoM disse...

Interessante abordagem de Roberto Shinyashiki que podemos, subdividir em duas partes: o subjectivo e o colectivo.

Subjectivo. O paradigma da sociedade moderna, reside num desenfreado apetite de satisfazer os desejos, como forma de alcançar a felicidade, repudiando qualquer espiritualidade ou qualquer introspecção, que poderia por em causa os apetites, fazendo reflectir sobre o valor das coisas. Será que, esta curta passagem pela Vida, se deverá alicerçar no egoísmo e no desejo?

Colectivo. A sociedade é um conjunto de regras de vivência estabelecidas de acordo com as necessidades e as conveniências. Quem vive nela, tem de se sujeitar ao estabelecido, o pensar e agir ao contrário, é uma utopia, que os que ousaram fazer, pagaram caro. A sociedade é uma engrenagem, em que nós somos os dentes das rodas que a compõem, sem a interacção do movimento, não somos nada.
Como um relógio bem afinado, com o tempo, só muda a sofisticação dos mecanismos, mas o fim é sempre o mesmo. Uns não têm a consciência disso, o seu egoísmo leva-os a engrenarem-se cada vez mais, outros, inconformados, aspiram a sua autonomia, apregoando aos sete ventos o seu inconformismo. Presentemente, não há lugares fora da engrenagem, somos todos forçados a viver nela, longe vai o tempo dos out siders.
Será que esta curta passagem pela Vida, se deverá pautar pelos interesses do colectivo, normalmente impostos por uma minoria?
Um abraço. Augusto

 
Às 01 maio, 2007 11:47 , Blogger Ant disse...

Augusto, viver em colectivo não é igual a ser carneirito... eu admito: não me revejo nas actuais propostas socio económicas e políticas. Por isso estou a pagar um preço. Um dia destes pode ser que me ocorra adquirir um cartão qualquer... digo qualquer porque de facto qualquer um deve servir para o efeito (?)... ;))

 

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