quarta-feira, fevereiro 21

O PORTO: O MORRO E O RIO (à margem de uma filmagem) - 5º EPISÓDIO: A DOAÇÃO DE Dª TERESA

Ano: 1120. Domingo de Páscoa.

Dª Teresa, filha de D. Afonso VI de Leão, dotada a título hereditário com a terra portugalense, viúva do Conde D. Henrique, outorga a carta de doação e couto do burgo do Porto passada a favor do Bispo D. Hugo e seus sucessores.
Ainda não havia Portugal. A cidade do Porto assume um estatuto próprio, 23 anos antes do tratado de Zamora.
O senhorio passaria para a Coroa apenas em 1405, por negociação, obra e graça de D. João I.
Na Sé residia o poder. Seria da forma como Garrett o descreve no seu Arco de Sant’Ana?


Nessa altura, o povo comprimia-se por este morro, como que inventando mais cantos, recantos e vielas, no aproveitamento possível de todos estes socalcos.
O morro do Olival, ali em frente, só mais tarde começaria a ser povoado, no meio de hortas e silvados e ainda muito longe de vir a ser chamado Vitória.

E então eu disse:

«Entre os dois morros corria o Rio de Vila, onde hoje é Mousinho da Silveira e Rua de S. João. E este rio, pouco mais que um regato, foi de uma importância que hoje custa a acreditar.
Foi considerado ser o limite oeste do Couto doado por D. Teresa, em 1120, ao Bispo D. Hugo. E porquê este “foi considerado”? Porque, no documento de doação, este limite vinha designado por “canalem maiorem”. E a Mitra e o Cabido entendiam que esta expressão correspondia ao riacho que corria pelas Virtudes, atrás do Olival…O que eles ganhavam! Não eram nada tolos…
Estas duas interpretações originaram um interminável litígio: o que era do Bispo e o que era da Coroa.»

Compreende agora a má vontade de D. Pedro Salvadores em relação aos franciscanos, a que me referi no episódio anterior? Que o levou a embargar a construção do Mosteiro e a mandar pôr a ferros o benemérito que doou o terreno? Aquela zona pertencia ao couto, na sua interpretação. Não senhor, não pertencia, diziam os franciscanos; não precisamos da sua licença para construir o Mosteiro…

Quanto ao Olival, o mesmo D. João I – até parece que o Porto não conheceu outro Rei – mandou edificar, por volta de 1386, uma grande judiaria, dentro das muralhas, onde reuniu diversos núcleos dispersos, dentro e fora do burgo. Durante cerca de 100 anos coexistiram com o resto da cidade, até que D. Manuel I quis agradar à mulher e decidiu expulsá-los do Reino.* Dizem que o Olival passou a Vitória para consagrar a vitória sobre os judeus. Não me orgulho. Celebrou-se uma asneira com uma estupidez…



Atrás de mim, os miúdos refrescam-se no bonito chafariz do Pelicano, trazido da Rua Escura, quando das obras de reestruturação de toda esta zona. O dia está quente e por aqui não há piscinas.

Talvez seja do calor, mas há uma dúvida que não me sai da cabeça: Que razões teria Dª Teresa para uma tão grande generosidade em relação ao Bispo D. Hugo?

Lá que dá para pensar, lá isso dá...
No próximo episódio, a Sé e o seu Terreiro.

* Leia “A última Dona de S. Nicolau” de Arnaldo Gama e fica com uma visão daquele tempo.

(continua)

Colaboração de Fernando Novais Paiva, autor do texto e das fotos.






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15 Comentários:

Às 21 fevereiro, 2007 21:40 , Blogger Papoila disse...

É uma pergunta muito pertinente e uma dúvida que permanece. Tenho lido estes episódios com encanto.
"A Última Dona de S. Nicolau" de Arnaldo Gama foi uma das minhas leituras da adolescência que li e reli.
Beijo

 
Às 21 fevereiro, 2007 22:49 , Blogger António disse...

Olá, Peter!
Bom regresso às lides!
ah ah ah
Mais um texto que me deixa outra vez a pensar em como eu sou ignorante em relação à história antiga da minha cidade.

Obrigado pelo comentário à minha história do menino da mamã.
Quanto à minha ida a Lisboa, devo dizer que não tenho prevista nenhuma viagem à capital (cidade de que muito gosto).
Quando estava profissionalmente no activo, muitas vezes aí fui.
Agora...
A ideia de ir aí conhecer umas quantas pessoas é deveras agradável mas, obviamente, teria que levar a minha cara metade que se importa tanto com os meus escritos como eu com a primeira camisa que vesti.
Enfim...vamos indo e vamos vendo!

Um abraço

 
Às 22 fevereiro, 2007 15:51 , Blogger Paula Raposo disse...

Não resisti a ler o comentário do António!! Desculpem-me. Quanto a esta história, completamente desconhecida para mim, acho muito interessante. Pois ela teria algum motivo escondido...penso eu. Mais não me alongo para não ferir susceptibilidades no campo religioso. Beijos Peter.

 
Às 22 fevereiro, 2007 18:20 , Blogger António disse...

Olá, Peter!
Obrigado pelo comentário ao meu post do electricista.
De facto, a ideia inicial era deixá-los esturricar na banheira e depois os cadáveres serem descobertos pelo cornudo.
Mas, como procuro ser muito rigoroso e estava com dúvidas sobre que efeito produziria o secador ligado à corrente ao cair na água, pus a questão a um amigo que percebe desses assuntos e ele deu-me a explicação que depois o Manel deu à ninfomaníaca.

Abraço

 
Às 23 fevereiro, 2007 16:38 , Blogger herético disse...

gostei desta itinerância sobre a cidade do Porto e a sua história, guiado pelo teu talento e erudição

abraços

 
Às 23 fevereiro, 2007 21:12 , Blogger MARTA disse...

Olá, Peter - bom rever estes locais e ler estes excertos.
Quem não gosto de ir até à Sé e voltar a explorar tudo???
Obrigada
Beijos e abraços
Marta

 
Às 24 fevereiro, 2007 09:22 , Blogger bluegift disse...

Qual é o preço para abrir as portas do céu? Cada um dá o que pode :P

 
Às 25 fevereiro, 2007 20:54 , Blogger Gata Fedorenta disse...

Ora"biba"
Lá continuo a "vever" as doutas "palabras" do Dr. Paiva.E que sede que eu já tinha...
Fiquei "nerbosa", mas mesmo muito "nerbosa" com o que se passou com a Dº Teresa. "Resolbi" "entrebistá-la" e "save" o que ela me disse?...-Ainda"vem" que isto se passou no antigamente, se fosse agora,imagine os impostos que eu teria de pagar pela"dádiba" que eu fiz ao meu Huguinho...
E agora fora do contexto...doutas "palabras" do Dr. Paiva.E que sede que eu já tinha...
Fiquei "nerbosa", mas mesmo muito "nerbosa" com o que se passou com a Dº Teresa. "Resolbi" "entrebistá-la" e "save" o que ela me disse?...-Ainda"vem" que isto se passou no antigamente, se fosse
O FCP empatou com o Chelsea porque o Zé é "Mourinho", se doutas "palabras" do Dr. Paiva.E que sede que eu já tinha...
Fiquei "nerbosa", mas mesmo muito "nerbosa" com o que se passou com a Dº Teresa. "Resolbi" "entrebistá-la" e "save" o que ela me disse?...-Ainda"vem" que isto se passou no antigamente, se fosse fosse "Mouro",ai carago,era uma derrota, era,era...
Saudações Gata Fedorenta

 
Às 25 fevereiro, 2007 21:39 , Blogger Gata Fedorenta disse...

"Bê" como eu "estaba" "nerbosa" atrapalhei tudo...
"Bou " repetir...Desculpem.
Ora "biba".Lá continuo a"vever" as doutas "palabras" do Dr. Paiva.E que sede que eu já tinha...Fiquei "nerbosa" mas mesmo muito "nerbosa" com o que se passou com a Dº.Teresa.
"Resolbi" "entrebistá-la" e "save" o que ela me disse?...
-Ainda "vem"que isto se passou no antigamente, se fosse agora imagine os impostos que eu teria de pagar pela "dádiba" que eu fiz ao meu Huguinho.
E agora fora do contexto:
O FCP empatou com o Chelsea porque o Zé é "mourinho" se fosse "mouro",ai,carago era uma derrota, era, era..
Saudaçôes Gata Fedorenta

 
Às 25 fevereiro, 2007 22:17 , Blogger Peter disse...

"gata fedorenta", vou responder-lhe pois o meu amigo Paiva é pouco dado a estas coisas de blogs.

Os seus comentários são sempre bem recebidos e têm piada e aqui para nós: eu sou "mouro", detesto o FCP e tudo o k com ele se relaciona e não morro de amores pelo Porto, pois Portugal é LISBOA e o resto é paisagem. E agora vou visitar o seu blog.

Saudações "leoninas", LOL.

 
Às 25 fevereiro, 2007 22:21 , Blogger Peter disse...

"Gata Fedorenta", o seu blog está fechado a 7 chaves, não consigo entrar e é pena.

 
Às 26 fevereiro, 2007 19:21 , Blogger Gata Fedorenta disse...

Ò seu leâozinho duma figa...Não ouço o seu rugido cá no Porto.Será por estar sentado á sombra duma "arbore" a dormir ""tranquilamente""?
"Bamos"responder "tranquilamente" mas mesmo "tranquilamente" às suas primárias "oversebações" que penso foram formoladas com o intuito de me espicaçar:
Se é "mouro"" comberta-se".
Se detesta o FCP-é dor de "cotobelo".
Se detesta tudo o que se relaciona com ele-detesta-me a "je".Mas cada um é como cada qual... Agora,Portugal é Lisboa e o resto é paisagem!!!!Quem lhe meteu essa no toutiço???Olhe que se não fosse a paisagem "boçês" "estabam" fritos sem oxigénio €€€€€€€€!!!!!Saudaçôes Gata Fedorenta

 
Às 27 fevereiro, 2007 00:38 , Blogger Peter disse...

Gatinha, miau:

O pinto já não pia? Nunca mais o ouvi.

Saudações leoninas.

 
Às 27 fevereiro, 2007 16:22 , Blogger Gata Fedorenta disse...

Peter,"debe" ir ao otorrino ...ultimamente até piou 5 "bezes". Saudações amigas Gata Fedorenta

 
Às 27 fevereiro, 2007 17:52 , Blogger Peter disse...

Miau, Miau

Quem cantou por 5 bezes foram os galos, pois o pinto anda muito rasteirinho, perdeu o pio.

"gato-leão"

 

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