Espera
Por quanto tempo se espera pelo ser amado?
Muito possivelmente enquanto dura o amor.
O café começa a ficar frio. Há que bebê-lo, até porque o dono começa a olhar de soslaio.
Não, decididamente não foi de boa política mandar vir uma bica, mais valia ter sido uma tosta mista e uma imperial, "comme d'habitude".
Assim, sempre se ia beberricando a cerveja e comendo a tosta em bocadinhos muito pequeninos, para fazer render o tempo.
Comecei a contar os homens e as mulheres que passavam frente à montra, fazendo riscos na toalha de papel que cobria a mesa e não me importando com o olhar de reprovação do homem. Decididamente este tipo não simpatiza comigo. Pago-lhe na mesma moeda. Ao mesmo tempo considero-me uma pessoa com sorte, pois se fosse negro já me tinha posto lá fora. Conheço a maneira de ser destes tipos, sempre com um olho no freguês e outro na caixa registadora.
Neste momento as mulheres contadas vão à frente e com larga vantagem.
Interrogo-me: onde estão os homens?
É a crise ...
Mas a crise não era apenas económica? Não é com isso que há um ror de anos nos enchem os ouvidos? A "tanga", o "fio dental", agora "em pelota". Em pelota? Em pelota ainda não, porque isso desencadearia uma corrida aos melhores valores e então seria o caos.
Não, a crise é total. Também de homens, as mulheres enfrentam agora outras concorrências.
Raios! Distrai-me e passaram uns quantos e umas quantas que não contei.
Telefono, não telefono? E se está com o chefe? Pode não ser boa política. É capaz de estar off-line, mas não estou frente ao PC.
Vou pagar. Saio e encosto-me à ombreira a ler o jornal. Costumo comprar "A bola", mas não fica bem, tenho de me dar um ar de intelectualidade e por isso comprei o “Público”.
Não, decididamente não, hoje não é o meu dia.
Meto o jornal debaixo do braço e vou-me embora com o rabo entre as pernas.
25 Comentários:
Olá, Peter!
Já me aconteceu, sim - ele deixou-me "pendurada" e é uma sensação muito desagradável.
Como descreves tão bem no teu texto, é tentar reverter a situação a nosso favor.
No meu caso, é dificil, porque "abro" logo a torneira. Mas cada um é como é e devemos respeitar isso.
É a minha opinião!
Um abraço
Marta
Olá Peter! Deliciei-me com a contagem dos transeuntes, com a animosidade do dono do café, com o Público para disfarçar...(lol) Quanto á espera não tem mesmo nada a ver com a crise... a espera ajuda a alimentar os motivos porque se espera... os momentos únicos, pessoais e intransmissíveis... Beijo
O dia não era de amor, acontece, e nesses dias não vale a pena insistir.
Um abraço. Augusto
Estive a pôr a leitura em dia. Já há um tempinho q não passava por aqui. E já agoar foi pôr-te nos meus links (não sei pq ainda não o terei feito).
A música embalou-me. Adoro Elton John.
Beijocas
"lazuli", primeiro que tudo deixa-me dar-te os parabéns, ( ou somos nós que os merecemos, por voltar a ter o privilégio de te ler?) pela reabertura "em grande" do teu blog.
Abres o teu comentário com uma frase que merece profunda (muito profunda também não) reflexão:
"A existência é uma oportunidade única, que não deve ser desperdiçada."
Sabes melhor que eu que estes textos são pura ficção, mas se tivesse sido comigo, de certeza que iria ler em primeiro lugar o "Calvin & Hobbes".
Não te molhaste? Então passa um resto do dia feliz.
Marta, não comentei "O caminho de casa" porque penso (posso estar errado)que se trata de um assunto pessoal. Ora eu sempre separei completamente o real do imaginário.
Deste modo, aquilo que escrevo poderá ter a ver com algo de real, mas nunca assume carácter pessoal, pois preservo muito a minha intimidade.
"papoila", no comment que deixei no teu blog, também deixei uma "gralha": "munde", mas tu sabes que não sou assim tão anafabeto.
Meu Caro Augusto, vários pontos:
- O meu post não descreve uma situação pessoal, pois nunca vim com os meus problemas para a praça pública. Portanto, pura ficção.
- Espero não ser contagiado pelo vírus. Pelo menos, até agora não.
- Deixei um comment no seu blog, sobre o post. Talvez também seja um problema de gerações. Espero que seja admitido.
Abraço
Dulce, já vi que nos linkaste. Claro que é agradável, mas não ligo muito a esses "pormenores", porque sempre te tenho lido e constas (julgo) nos links dos 2 blogs. Pelo menos neste sempre tens estado.
Pode realmente dar para os dois lados - tem realmente um lado pessoal, até porque falo na minha irmã, mas não estou a entrar na minha privacidade.
A verdadeira pergunta era se realmente encontramos ou não o caminho para casa - a casa onde nascemos, muitas vezes não é a casa onde pertencemos.
Há outros posts e podes comentar à vontade.
Beijos, abraços, etc
Marta
Ainda relativamente aos meus posts, tens 3 antes deste que podes comentar!
Vou ficar ofendida se, pelo menos não comentares um!
É um desafio! Aceitas? (brincadeira, Peter, estou a brincar contigo)
Beijos, abraços, xi - aproveitem que hoje estou mãos largas.
Marta
Quanto tempo se espera pelo ser amado? Às vezes toda a vida... Por vezes é uma espera inútil, sem esperança.
"nokinhas", estive visitando os teus 2 blogs, ou blog e meio ...
Nos links do "andorinha negra" consta lá (o que verifiquei com agrado) "conversasdexaxa".
Se queres estar ligada connosco, no que nos dás muito prazer, actualiza o link, por favor, para:
conversasdexaxa4
como vês, já vamos na 4ª série, o que devemos a vocês que nos lêem, ou pelo menos nos visitam.
O endereço é:
http://conversasdexaxa4.blogspot.com
Mas se não actualizares, aparece na mesma, pois és sempre bem-vinda.
sei que te entendo; sei que me entendes!
Jinhos mil,
BShell
BShell, sempre nos entendemos desde os distantes tempos do "Poeira de estrelas". Depois seguiu-se a série dos "conversas de xaxa" e, por motivos que não vêm para o caso, deixaste de aparecer.
Tens um belo blog: boa prosa, boa poesia, e belíssimas fotos. Consequentemente, é preciso marcar bilhete com antecedência para o visitar.
:)
Peter, gostei de ler este post, fez me pensar imenso..
boa noite
Lúcia
P.S. Hoje apanhei uma valente molha em Lisboa..:|
Lúcia, a mim "pensar" faz-me dores de cabeça, de modo que prefiro "não pensar".
Apanhaste uma valente molha em Lisboa?
Estás cheia de sorte. Eu apanhei duas ...
E também como é que trocas o paraíso, por esta "selva" citadina?
precisava de descansar a minha cabeça de uns problemas que em surgido..
Enfim.. Nada que não passe, não é?
Pensar é tudo o que me resta:)
Lúcia
P.S. Mas sabes, que além da molha, ganhei uma valente queda ao pé da estação do Areeiro..:|
lazuli, se lesses o mail vias que estive ai:P
:) também gosto de ti
aliás gosto de voces todos*
Lúcia, espero que não te tenhas magoado com a queda. Percalços das "provincianas" quando vêem à Capital(não te zangues, é a brincar).
Os romanos classificavam os dias em "fastos" e "nefastos". Hoje para mim foi um dos primeiros, já para ti saiu-te na rifa um dia "nefasto".
Mas não desanimes, hão-de vir melhores dias.
Peter, não desanimo, pois nem sequer para desanimar tenho forças:)
melhores dias virão com certeza*
E magoei-me mesmo na queda..ganhei uma nodoa no joelho acompalhado por arranhoes e inchaço
e partilho convosco:
a terra mostrou-te um coração traçado a giz
mais antigo que estes passos num charco de sombra
onde lentamente se agita um corpo definham
as coisas há muito por ti nomeadas
.
no ébrio rosto da noite perdeste o rosto
num sobressalto de sede ergueu-se a presença
misteriosa de nomes cintilantes sobre o peito
.
mas não te restou nenhuma aflição nenhuma angústia
da cega e amarga travessia da infância
porque no ermo esquecido dos dias vive ainda
a louca criança de éter incendiado
Al Berto
de «O Livro dos Regressos», 1989
Lúcia*
"E porque não começar assim?"
Sim, porque não?
Nos n/links agora queres figurar como "lylia", ou como "violet"?
Por quanto tempo se espera pelo ser amado?
Muito possivelmente enquanto dura o amor
gostei de ler.te
jocas maradas de tempo
Lylia, o teu blog, já está nos n/links. Isso facilita a visita dos n/leitores.
Felicidades para o "nascituro".
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