quarta-feira, março 8

Poema de amor e solidão

Agora que as palavras secaram
e se fez noite
entre nós dois,
agora que ambos sabemos
da irreversibilidade
do tempo perdido,
resta-nos este poema de amor e solidão.

No mais é o recalcitrar dos dias,
perseguindo-nos, impiedosos,
com relógios,
pessoas,
tardes demasiado cinzentas,
todas as coisas inevitavelmente
lógicas.

Que a nossa nem sequer foi uma história
diferente.
A originalidade estava toda na pólvora
dos obuses, no circunstanciado
afivelar
dos sorrisos à nossa volta
e no arcaísmo da viela onde fazíamos amor.

(autor: Eduardo Pitta)

Outro dos poemas considerados por Inês Pedrosa, como dos mais belos poemas de amor.

9 Comentários:

Às 08 março, 2006 11:57 , Blogger MARTA disse...

Escolhes sempre versos lindos, Peter!
Simples, mas que dizem tudo o que de mais belo há no amor.
Vi o teu comentário no meu blog, a pergunta é feito no post anterior.
De qualquer forma, transcrevo o meu post do meu outro blog para responderes se quiseres.
SABER AMAR
Encontrei este poema da Florbela Espanca, num livro. Infelizmente, não sei o nome!

...
Odeio o teu doce sorriso,
odeio o teu lindo olhar
E ainda mais a minh'alma
Por tanto e tanto te amar

O meu comentário?
Não te vou odiar; apenas lamento não ter (talvez quem sabe, seja essa a razão) sabido te amar!
Ou tu achado que o teu amor não era suficiente!
Mas será que o amor se mede?
posted by MARTA at 1.2.06 em http:www.escrevercomamor.blogspot.com, onde transcrevo os poemas com os quais me identifico.
Boa 4 ª Feira para ti
Um abraço
Marta

 
Às 08 março, 2006 13:15 , Anonymous AsasdoSentimento disse...

O amor, a solidão e a memória são sentimentos e sensações que infelizmente no amor andam de mãos dadas, um dia temos a felicidade eterna no outro não temos nada só a solidão e a memória. Belissimo poema, parabens.

Um abraço

 
Às 08 março, 2006 13:58 , Anonymous Perfect Woman disse...

Porque até para escolher poemas é semre preciso termos sensibilidade... E tu nisso és mestre...
Jinhos ternos

 
Às 08 março, 2006 20:39 , Blogger marakoka disse...

gostei de ler... um amor passado

jocas maradas

 
Às 08 março, 2006 21:52 , Blogger Betty Branco Martins disse...

Peter

Outra excelente escolha a de Eduardo Pitta.

Estou de acordo com a Inês P. é um poema de amor - profundo.

"Nenhum de nós passeia impune
pelos retratos: fazem-nos doer
os recessos da memória.

Deles saltam, por vezes, sustos,
primeiras noites, secreta
loucura, lábios que foram.

Interditam-nos sempre.
Trepam-nos pelo torpor
mais desprevenido, subsistem.

A sua perenidade é volátil
e cheia de venenosos ardis.
Um sopro no acetato.

Distintos, os seus contornos
não são nunca
os que supomos".

Beijinhs

 
Às 09 março, 2006 12:49 , Blogger Peter disse...

Marta, o "zezinho" é que é a pessoa indicada para falar sobre o amor. É um "expert" no assunto ...

 
Às 09 março, 2006 12:51 , Blogger Peter disse...

"asasdosentimento", céu e inferno, não é?

 
Às 09 março, 2006 12:54 , Blogger Peter disse...

"perfect woman", sou um leitor de poesia. Nem todos gostam do que publico porque nem todos temos os mesmos gostos.

 
Às 09 março, 2006 12:59 , Blogger Peter disse...

Betty, suponho serem de Eduardo Pitta os versos que publicas É um autor que me é praticamente desconhecido.

Destaco:

"Nenhum de nós passeia impune
pelos retratos: fazem-nos doer
os recessos da memória"

 

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