domingo, janeiro 8

O Jarrão

O PR (Presidente da República) tem poderes bem definidos. Em circunstância alguma pode perverter o sistema, pelo menos à luz da actual Constituição. Questiono-me por isso do porquê de tantos candidatos.

Na verdade o que o que é proposto aos portugueses é que façam uma escolha entre vários jarrões independentemente das cores que usem e das origens dos mesmos.

Podemos sempre questionar se um jarrão da dinastia Ming terá o mesmo efeito de um fabricado em Sacavém, ou nas Caldas.
O azul ficará bem a uma peça de porcelana tão intimista? E se ficar deverá usar óculos? Se não usar deve ter um rosto plastificado? E que dizer do corpo do jarrão? Em cima deve estreitar, ou ao invés, deve alargar?

Se for de fabrico nacional será que tem o mesmo valor? E se tiver, adoptará por uma marca certificada?
Cavaco é indubitavelmente um jarrão de barro barato revestido a plástico de qualidade duvidosa. Definitivamente os portugueses parecem preferir imitações de mau gosto.

Se for um Vista Alegre, será certo de que tem queda para o poema?! Se tiver é certo que passa à segunda volta? No caso de conseguir podermos ter a certeza de que o fará com métrica? No meio disto onde ficam as sondagens? Será previsível uma queixa à CNE? (Comissão Nacional de Eleições).

Porém se o jarrão provém de estratégias Trotskistas? Será um dado adquirido que teremos uma sociedade fraterna? O que fazer com os revolucionários? Deportamo-los para a Serra da Estrela? Não será então de bom senso levar o caminho-de-ferro até lá? E se sim, fará parte do projecto arrojado TGV, ou ficar-nos-emos pela velha máquina a carvão? Se a opção for a última que garantias temos de que consegue subir?

E se nos decidirmos pelo uso de camisas de marca? Será certo de que estas nunca terão aromas indevidos? Será previsível que uma Hugo Boss não possa ter cheiro a sovaco e a coisa velha?

Por outro lado será que ganhando o mais cristalizado de todos, o palácio de Belém passará a ser em Beja?
Como atravessar o Tejo com aquele enorme mastodonte? A ajuda proletária chegará para tal? Estarão os operários dispostos a carregar tal fardo por pouco dinheiro?

Estas e outras questões são pertinentes porque é imprescindível escolher um jarrão, embora não saiba bem qual a utilidade deste!

É imperioso que seja azul. Azul com flores, capaz de se expressar nem que seja sob a forma de arte DECO.
Porém onde colocar o jarrão? Numa mesa de pé de galo? Ou poderá ser numa vulgar mesa de jantar, talvez mesmo uma que estique? Oponho-me frontalmente a uma mesa de sala de estar. Odeio os sofás aberrantes que normalmente são colocados ao lado!

Que flores usar no jarrão? Será lícito querer tulipas? Se optarem por cravos não pode isto ser entendido como uma marca revolucionária? E se forem rosas, será certo que a Rainha Santa fará um milagre? Transformar rosas em pão não poderá indiciar um ilícito criminal? Quem comeria tal pão, pese embora o aumento deste?

9 Comentários:

Às 08 janeiro, 2006 19:01 , Anonymous Maria Papoila disse...

Gostei muito desta análise. terá de ser azul, se possível da Vista Alegre...
PRECISA-SE: ANÚNCIO URGENTE!

Tome-se o poeta de veias abertas
Numa outra Primavera verde,
de criança, de mulher chegada.
Tome-se o poeta onde existe.
Da palavra, tome-se o tronco
do amigo, os barcos sem asas…
Tome-se o poeta de vertical silêncio,
como gestos respirados,
em cânticos de Sol…
Como gestos comuns, respirados,
pela cidade de braços abertos
que circula em nossas veias,
pintada de verde Primavera,
vertical amigo.

ANÚNCIO PRECISA-SE: LUMINOSO!

Abraço
.

 
Às 08 janeiro, 2006 19:20 , Blogger Peter disse...

"Letras" e se o jarrão se parte?
É tudo prejuízo.

 
Às 08 janeiro, 2006 19:39 , Blogger Betty Branco Martins disse...

Olá Zé

É sensato e de bom gosto - Vista Alegre, pois então!!!

Parabéns pelo texto. Como sempre – pertinentemente oportuno :)

Um beijo...

 
Às 08 janeiro, 2006 19:43 , Blogger lazuli disse...

Não sei se são jarrões.
Ainda temos um país chamado Portugal e o PR será a sua "cara" Se é que alguém o vislumbra ainda..a esse país perdido nas quezílias dos seus habitantes.
Pois está tão encolhido, pobre país.
O texto está espectacular, como nos habituaste nas tuas letras presentes como o próprio acaso.

Beijos

 
Às 08 janeiro, 2006 19:45 , Blogger Heloisa B.P disse...

"Milagres"(das Rosas ou dos Cravos...ou das Tulipas!...)e' do que nao precisamos!_Nao precisamos, porque eles_os Milagres_, nao existem!PRecisavamos, sim, era de nao precisarmos de *JARROES DECORATIVOS*, a nao ser na nossa Sala e, nesse caso, de acordo com nosso gosto e personalidade e, nao, porque sao de"marca" ou...estao na "MODA"!
_Bom, de FINA E DELICADA PORCELANA e', Seu senso Critico e, SEU ESTILO INIMITAVEL_tal como, "Inimitaveis", sao "os Jarroes da dinastia Ming"!!!!!
_Meu Abraco!
Continuacao de *BOM ANO*!!!
Heloisa.
**********

 
Às 08 janeiro, 2006 22:27 , Blogger Micas disse...

Pessoalmente prefiro o jarrão da Vista Alegre, sem qualquer dúvida, contudo receio que devido à crise a maioria já não sabe distinguir entre um pedaço de caco e uma porcelana...é urgente um milagre sim, e não é o das rosas ;)
Um texto pertinente e oportuno, para além de magnífico como já é habitual.
Beijos

 
Às 09 janeiro, 2006 00:45 , Blogger yatashi disse...

eu só venho mesmo deixar um abracito *

boa noite

 
Às 09 janeiro, 2006 09:16 , Blogger Joaninha disse...

No mínimo, que o jarrão seja útil. Que ao menos sirva para completar um recanto, para uma foto para a posteridade...
Gosto dessa forma de escrever. Nas entrelinhas há o que resta da ironia...
Até sempre

 
Às 11 janeiro, 2006 11:18 , Blogger folhasdemim disse...

Com jarrões tão fracos como estes qualquer dia ainda me viro para a monarquia!!
Beijokas, Betty :)

 

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