quarta-feira, janeiro 4

O universo tem uma inclinação para a matéria

Visto que nós existimos, e por isso mesmo, o universo teve de encontrar muito cedo um meio de quebrar a simetria matéria/antimatéria.
Pensa-se que o terá feito 10^-32 segundos depois do Big Bang, no final da fase inflaccionária, altura em que a energia do vazio deu origem às partículas e às antipartículas.

A Natureza exibiu então uma pequeníssima preferência pela matéria.

Porquê? Vá-se lá saber porquê.

O que se “sabe” é que por cada mil milhões de antiquarks surgidos do vazio (ex-nihilo), se criaram “mil milhões mais um” quarks. Diferença infíma, mas prenhe de consequências.
Com efeito, por alturas do primeiro milionésimo de segundo, quando o universo arrefeceu a dez biliões de graus – o suficiente para permitir aos quarks reunirem-se três a três, a fim de formarem neutrões e protões, e aos antiquarks formarem as suas partículas - a grande maioria dos quarks e dos antiquarks aniquilou-se e “transformou-se em luz”.
Mas, por cada mil milhões de partículas e antipartículas que se aniquilaram, dando origem a mil milhões de fotões, restou exactamente “uma partícula de matéria” sem nenhuma partícula de antimatéria para a destruir.
É por isso que nós existimos, e o nosso corpo é feito de matéria, porque a Natureza teve um milésimo de milionésimo de preferência por esta, relativamente à antimatéria.
E é por isso que, no universo dos nossos dias, há mil milhões de partículas de luz por cada uma de matéria.

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25 Comentários:

Às 04 janeiro, 2006 09:59 , Blogger Meia Lua disse...

O Universo fez bem a sua escolha, embora não saibamos o que seria se tivesse escolhido a anti-matéria, mas sim, nós somos seres de luz... ou melhor iluminados.
Excelente o teu texto ;)

 
Às 04 janeiro, 2006 12:07 , Blogger margusta disse...

Adorei ler o texto, o Universo é tão complexo que tudo o que lhe diz respeito me fascina.

Venho desejar-vos um ano de 2006 com muita Luz , assim como para o Mundo em geral.

Beijinhos.

 
Às 04 janeiro, 2006 12:53 , Blogger Maria disse...

Não sei se volta para te ler mais tarde, se releia tudo outra vez :-)......
Reli. Ainda bem que a Natureza preferiu a matéria (ou não?)
Beijos.

 
Às 04 janeiro, 2006 13:18 , Blogger Amita disse...

Muito interessante este teu texto. A Ciência no seu eterno confronto com a Religião vai provando que não há contradição entre elas, partem ambas da mesma base, com palavras (teorias???) diferentes. Já muito foi provado cientificamente mas ainda há um longo caminho a percorrer. Neste mundo de loucos será que vencerá o bom senso? Bjos e um dia solarengo.

 
Às 04 janeiro, 2006 14:57 , Blogger Peter disse...

"mulheres de um homem só", agradeço e retribuo.

 
Às 04 janeiro, 2006 15:00 , Blogger Peter disse...

"lazuli", despertaste-me o apetite. Vou buscar os "Anjos e Demónios" à "fila de espera" e vou começar a lê-lo.

Um bom dia também para ti e, quanto aos beijos, preferia que fossem reais, mas contento-me com os quânticos, já não é mau de todo ...

 
Às 04 janeiro, 2006 15:06 , Blogger Peter disse...

"meia lua", a tal partícula de matéria (quark) que escapou, em cada mil milhões + um, é que possibilitou eu estar aqui a responder-te, senão o Universo era apenas luz (fotões).

 
Às 04 janeiro, 2006 15:14 , Blogger Peter disse...

"margusta", obrigado pela tua visita e pelos votos de Bom Ano Novo, que retribuimos.
Vamos tateando, procurando ir sempre um pouco mais além, completando ou eliminando hipóteses, na tentativa de conhecer mais do universo onde habitamos nesta pequena Terra que, até há bem poucos séculos, se arrogava o Centro de tudo.
E ai de quem duvidasse:
- fogueira com o "cão".

 
Às 04 janeiro, 2006 15:17 , Blogger Peter disse...

Dulce, ainda bem. Senão tudo era luz e como poderia eu responder-te e retribuir os teus beijos?

Obrigado pela visita e um Bom Ano.

 
Às 04 janeiro, 2006 15:36 , Blogger Peter disse...

"amita"

O Big Bang teve dificuldade em ser aceite porque na época estava em voga a teoria do “universo estacionário” (steady state]), de três astrónomos britânicos: Hermann Bondi, Thomas Gold e Fred Hoyle, segundo a qual o universo não teria nem princípio nem fim e seria, em termos médios, sempre idêntico a si mesmo no espaço e no tempo.
Foi Fred Hoyle que chamou, depreciativamente (pois não se trata de nenhuma explosão), Big Bang, à nova teoria, .
A descoberta no princípio dos anos 60 dos quasars e das “radiogaláxias”, cujo número parece diminuir à medida que aumenta a idade do universo (não se tem a certeza; aliás não há certezas nestes assuntos ... ) e a descoberta, em 1965, da “radiação fóssil”, levaram a uma muito maior aceitação da teoria do Big Bang., que tinha sido abalada pelo facto de em 1951, o Papa Pio XII ter identificado o Big Bang com o fiat lux da Bíblia, o que colocou certos astrofísicos pouco à vontade.

 
Às 04 janeiro, 2006 16:11 , Anonymous Anónimo disse...

Fabuloso texto Peter, Iluminado! E senti-me então eu própria iluminada pela luz que cada partícula da minha matéria contém! Beijo

 
Às 04 janeiro, 2006 18:18 , Blogger Peter disse...

maria papoila, uns fazem versos outros meio "lunáticos" interessam-se por estes assuntos. Eu sou um deste últimos, interessado por livros de divulgação científica de cientistas consagrados.
Vou aprendendo umas coisas que, numa linguagem simples, procuro transmitir aos outros, tentando ultrapassar a ideia que o nosso suconsciente não consegue apagar, que a Terra é o "umbigo" do universo e o astro "eleito" pelo Criador, se por acaso existiu algum ...

 
Às 04 janeiro, 2006 18:21 , Blogger Peter disse...

Lúcia, é simples. Na tua idade o que te interessa é viver a tua vida, gozar a tua juventude.
Quanto ao texto, basta uma simples palavra: "interessante", ou qq coisa no género. Não ficas diminuida por isso.

 
Às 04 janeiro, 2006 21:38 , Blogger Peter disse...

"Lazuli", porque é que não havias de perceber, sendo uma mulher inteligente como és?

Hoje não há besitos?

 
Às 04 janeiro, 2006 21:40 , Blogger Peter disse...

Lúcia, eu mando aqui umas "bocas". Qualquer dia aparece aí um "profissional" e manda-me "meter a viola no saco".

Besito*

 
Às 04 janeiro, 2006 22:56 , Blogger Peter disse...

tribunal_beatas, nunca pensei que este meu despretencioso artigo tivesse tanto sucesso. Tenho receio de, se continuar, começar a chatear, por isso, para já, fico por aqui.

Bj*

 
Às 04 janeiro, 2006 23:03 , Blogger Peter disse...

Claro Lucia! Não te preocupes e vive a vida. Esse tempo maravilhoso que faz por aí é um bem inestimável.

 
Às 05 janeiro, 2006 00:03 , Blogger Peter disse...

Lucia eu adoro essa terra. O que queres?

Dorme bem*

 
Às 05 janeiro, 2006 00:12 , Blogger Peter disse...

"lazuli", não sei por quanto tempo mais poderás continuar a aparecer por aqui.
Pela primeira vez, ao longo destes meses, amanhã não publico nada.

 
Às 05 janeiro, 2006 00:27 , Blogger Fragmentos Betty Martins disse...

Olá Peter

Diria que portanto, a teoria do big bang, não é gratuita: por isso mesmo, a quase totalidade dos astrónomos a aceita. Melhorando a precisão dos cálculos, levando em conta o que os físicos nos ensinam sobre os constituintes mais elementares da matéria, os astrofísicos conseguiram explorar o que se passou no início do universo, atingindo um momento muito próximo desse instante zero a que, desesperadamente procuram chegar. Conseguem recuar no tempo até 10,43 segundos após o big bang. Ou seja, um período de tempo cuja brevidade dificilmente podemos descrever. Seria qualquer coisa como 0,000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 001 segundos. Utilizando a brilhante comparação de um astrónomo americano, podemos dizer que um simples espirro duraria um bilião de triliões vezes mais, nos 15 ooo milhões de anos da história do universo, do que 10,43 segundos duram no espaço breve de um segundo. A física conhecida detém-se neste ponto. Nele reina provavelmente essa força única que Einstein e os físicos que se lhe seguiram procuraram desesperadamente formular numa única equação. Uma força que uniria todos os fenómenos físicos existentes. Nesse momento, o universo não passa ainda de um “puré” indistinto de partículas, quarks, electrões, fotões, neutrões. Mas, antes desse preciso momento, temos unicamente o mistério, um mistério por resolver. Um acontecimento que não se enquadra em nenhuma lei conhecida. Um momento!
(teorias de Einstein)que: a curvatura do espaço se torna infinita, em que os conceitos de espaço e de tempo deixam de ter sentido. Em que as teorias deixam de ter o mínimo significado.

Pergunto – que é que existia antes do big bang?

Bom, fico por aqui, que isto já vai longo demais!!! Embora tantíssimas coisas há para falar sobre isto.

Parabéns pelo post.

Beijinhos

 
Às 05 janeiro, 2006 02:10 , Blogger Peter disse...

Betty, esse ponto é a "constante de Planck".
O acontecimento é a "singularidade".
Existia o UNIVERSO, infinito e eterno, onde as "singularidades" se sucedem, dando origem a universos como o nosso, que se sucedem, vingam, ou se aniquilam.

 
Às 05 janeiro, 2006 02:26 , Blogger Peter disse...

Betty:

. Por agora, existe um muro do conhecimento chamado “tempo de Planck”, 10^-43 de segundo, quando o universo tinha o “comprimento de Planck”, 10^-33 de centímetro.
Tanto o tempo como o comprimento de Planck, não constituem limites intrínsecos, mas acontecem devido a não sabermos, por enquanto, como conciliar a mecânica quântica com a relatividade.
Todas as leis físicas perdem credibilidade para lá deste muro de conhecimento.

A física conhecida começa então a 10^-43 segundos depois do Big Bang.

 
Às 05 janeiro, 2006 13:40 , Blogger Amita disse...

Excelente a explicação da Betty. A tua, que agradeço e que é sempre valiosa, já a conhecia, embora não seja expert nessa matéria nem para lá caminho, estou certa. A intenção do meu comentário foi uma tentativa de ver este tema por outro prisma, que não focas, mas que existe desde tempos longínquos.
Como sabes, todos os artigos que dizem respeito à Ciência interessam-me, não é de hoje. Se as Letras vivem de "sonhos", eu também me sustento da realidade e com ela a Ciência, por motivos pessoais e familiares, que não vêm ao caso. Como vês, estes teus artigos são extremamente "interessantes" porque a Ciência (nova ainda no tempo e incansavelmente curiosa)nos faz mergulhar nesse mundo e "despertar" esta leiga que gosta de te ler.
Finalizando, a todos tenho de agradecer o debate(?) ou troca de opiniões que originaste e que com toda a imensa amizade que te dedico
te mando um bjo e um doce sorriso

 
Às 05 janeiro, 2006 14:04 , Blogger Peter disse...

"amita", possivelmente não leste os meus dois comentários relativos ao exposto pela Betty.

 
Às 05 janeiro, 2006 22:45 , Blogger Peter disse...

"sutra", ainda ontem estive no teu blog. Gosto de te ler, pela calada da noite.
São textos bem mais interessantes que este. LOL

 

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