sexta-feira, novembro 25

TAP AirPortugal

Durante vários anos, a TAP, pelos seus elevados déficits e pelo seu "mau serviço" (diziam, pois eu nunca tive razões de queixa) foi abertura, pela negativa, dos noticiários da TV.
Era o tempo dos "comissários" políticos, alguns deles com experiências fracassadas em elevados cargos anteriores. Não cito nomes, pois é só ler a imprensa da época, nomeadamente a do tempo da construção da EXPO 98, ou, mais tarde, da tentativa falhada de associação com a falida Swissair.

Um presidente brasileiro, Fernando Pinto, contra tudo e contra todos, conseguiu que a Companhia progredisse a olhos vistos. Numa altura em que o preço do combustível atingiu os níveis a que chegou, a TAP superou todas as dificuldades e é uma das boas Companhias europeias. "Estabilidade é a palavra de ordem", no dizer de Fernando Pinto, um homem que merece bem aquilo que ganha (e que é muito).
A “estabilidade” foi obtida pela sua postura e pelo sacrifício do pessoal de voo, que há 3 anos não é aumentado. Mas estão a defender os seus postos de trabalho.
Quanto à “postura” de Fernando Pinto, além de ser uma pessoa que aperta a mão a todos os trabalhadores, quando viaja fá-lo em turística, junto do pessoal de cabine. Isto diz tudo: uma diferença abissal em relação a Cardoso e Cunha.

Olhem em vosso redor e indiquem-me casos de sucesso iguais a este. Vocês conhecem-nos bem, mas pela negativa, pelos chorudos ordenados, pensões de reforma e acumulação das mesmas, indemnizações milionárias, “cambalachos” de troca de cargos directivos entre companhias estatais …
Por isso eu fiquei satisfeito por ele se ter naturalizado português: "este é o País dos meus avós por isso, este é um retorno às origens".

Criticou-se o negócio com a VARIG, numa altura de dificuldades económicas e em que a TAP ainda é uma companhia com elevados passivos anteriores, que têm vindo a ser neutralizados. Mas o que se comprou à VARIG foi a parte de manutenção dos aviões, que passará a ser feita pela TAP, onde outras companhias aéreas estrangeiras, vêm também procurar os nossos excelentes serviços.

Criticou-se a compra de 15 novos aviões topo de gama, mas, segundo Fernando Pinto, "a TAP tem que estar à frente, para não corrermos o risco de perdermos o mercado".

Quando será que deixaremos esta atitude de inveja, de mesquinhez, de coitadinhos, e que aprenderemos a apreciar aquilo que temos e quem trabalha para nós de forma eficiente, mesmo recebendo aquilo que a sua qualidade e os méritos demonstrados o merece?

11 Comentários:

Às 25 novembro, 2005 00:46 , Blogger Grilinha disse...

Parabéns pelo texto. Eu tb penso assim. A TAP e os seus trabalhadores merecem dias melhores que só se conseguem com esforço de todos (de alto a baixo).

 
Às 25 novembro, 2005 00:55 , Blogger Peter disse...

Olá grilinha! É um prazer ver-te por aqui.
Parabéns pelo 2º aniversário do teu blog e longos anos de vida, com a qualidade a que nos habituaste.

 
Às 25 novembro, 2005 09:37 , Anonymous BlueShell disse...

Tens toda a razão mas o portuguesito é assim...somos assim!
Enfim! Beijo,
BShell

 
Às 25 novembro, 2005 11:12 , Anonymous zezinho disse...

Assino por baixo este teu magnifico texto.À reconhecida incompetência - ainda houve um forte braço de ferro entre Cardoso e Cunha e Fernando Pinto, reconhecido incompetente e ladrão - contrapos-se a arte de gerir sobretudo as pessoas. Hoje a TAP é uma companhia sem conflitos, graças a todos os trabalhadores da empresa e sobretudo grças ao homem que foi capaz de unir em torno de um projecto todas as vontades.
Por mim, podem aumentá-lo. A competência deve ser recompensada. A incompetência deveria ser julgada e muitos dos "cavalheiros" que delapidaram alegremente a TAP e outras empresas, deveriam estar no sítio certo, para além de deverem ser obrigados a reporem o que "desviaram".

 
Às 25 novembro, 2005 11:39 , Blogger Peter disse...

zezinho, isto é rigorosamente verdade, pois falo com conhecimento de causa. O facto do Fernando Pinto viajar muitas vezes em turística, conversando com o pessoal de bordo, e inteirando-se dos seus problemas, poderá ser "demagogia", mas é um facto verídico.

Concordo inteiramente com o teu comentário.

 
Às 25 novembro, 2005 11:49 , Blogger Peter disse...

blueshell, desculpa não concordar contigo.
Se somos assim, temos de deixar do ser e abandonar atitudes de "laxismo" e "indiferença".
Acresce que os portugueses não são assim. É ver o modo como trabalham e triunfam no estrangeiro.
O estado do País deve-se a quem tem tido funções governativas, administrativas e directivas, que agem impunemente como se fossem donos do País e a quem não são imputadas responsabilidades.

 
Às 25 novembro, 2005 13:28 , Anonymous AsasdoSentimento disse...

É pena que a nossa classe patronal não aprenda com este exemplo, porque só pedem sacrificios, e quando não são feitos pelos "escravos" recorrem à ameaça, ou ao fecho das empresas e ficam ricos e impunes.

 
Às 25 novembro, 2005 14:17 , Blogger Peter disse...

asasdosentimento, tens toda a razão. A "impunidade" é da responsabilidade dos governantes que não promulgam legislação adequada e muito mais importante, não proporcionam meios adequados para a exequibilidade e fiscalização do seu cumprimento.

 
Às 25 novembro, 2005 15:05 , Anonymous A Papoila disse...

Este texto agradou-me muito, e concordo por completo contigo. É questão para nos sentirmos orgulhosos Fernando Pinto naturalizar-se português, e não é chauvinismo, é reconhecer competências! Beijo

 
Às 25 novembro, 2005 17:24 , Blogger Peter disse...

a papoila, é preciso dar relevo à actuação do pessoal, ao seu comportamento e à aceitação dos sacrifícios que tiveram de fazer e às regalias que tiveram que abdicar, para tornar viável a Companhia.
Digamos que Fernando Pinto foi o elemento aglutinador.

P.S. - Não sou da TAP. Conheço pessoas amigas que trabalham lá e que estão satisfeitas, contrariamente à insegurança que se verificava anteriormente.

 
Às 26 novembro, 2005 09:47 , Blogger bluegift disse...

É isso mesmo. Devia existir uma clausula nos contratos milionários de certos empresários, que os obrigasse a devolver parte significativa do ordenado em caso de insucesso. Felizmente, não é o caso e a TAP está de parabéns.

 

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