terça-feira, maio 14

OS DESCARTÁVEIS

A situação em que vivemos faz-me lembrar um livro já antigo, que fez a sua época, em sucessivas edições: “Escuta, Zé Ninguém!” de Wilhelm Reich, sobre o “nazismo”://

“ ... durante várias décadas, primeiro ingenuamente, mais tarde com espanto, finalmente horrorizado, observou o que o Zé Ninguém da rua  faz a si próprio”; como ele sofre e se revolta, como ele estima os inimigos e assassina os amigos; como ele, onde quer que consiga o Poder como “representante do povo”, abusa desse poder e o transforma em algo de mais cruel que o Poder que ele antes tinha de sofrer às mãos dos sádicos indivíduos das classes superiores. (...)”//

Depois desta reflexão e olhando “cá para dentro”, veio-me à lembrança o livro de Viviane Forrester, “L’Horreur Économique”, publicado em França em 1996:

“ É preciso ‘merecer’ viver para se ter direito à vida?” (…) Uma ínfima minoria, já excecionalmente provida de poderes, de propriedades e de privilégios considerados incontestáveis, assume esse direito por inerência. Quanto ao resto da humanidade, para ‘merecer’ viver, tem de revelar-se ‘útil’ à sociedade, pelo menos ao que a dirige, a domina: a economia confundida como nunca com os negócios, ou seja, a economia de mercado. ‘Útil’ significa quase sempre ‘rendível’, ou proveitosa para o lucro. Numa palavra, ‘empregável’ (‘explorável’ seria de mau gosto!)”

A autora, Viviane Forrester, veio à Gulbenkian em Abril de 1997 (julgo, pois assisti à sua palestra) integrando um Ciclo de Conferencistas de diversos países sobre o “Económico-Social”.

“Descobrimos agora que, para além da exploração dos homens, ainda havia pior e que, perante o facto de já não ser explorável, a multidão de homens considerados supérfluos, cada homem no seio desta multidão pode tremer. Da exploração à exclusão, da exclusão à eliminação …?”

Dezasseis anos se passaram. É possível, é quase certo, que muitos “notáveis” entre nós tenham sido influenciados …  

 

1 Comentários:

Às 28 maio, 2013 14:43 , Blogger alf disse...

tenho pensado bastante nestas coisas e concluo que só há uma solução, a adotada pelos nórdicos, resumida na frase: "não deixamos ninguém para trás". Enquanto as pessoas quiserem ter pessoas "abaixo", criados, etc, cai-se sempre no mesmo. Ou há exploração ou não há, o meio termo não é possível.

 

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