sexta-feira, abril 26

Uma proposta delirante


Uma proposta delirante

 

“Muito preocupados - legitimamente - com a crise portuguesa, não temos grande disponibilidade mental para dirigir a nossa atenção para as propostas que a Comissão Europeia fez, já em Novembro do ano passado, para a reformulação institucional da zona euro. Mas devíamos preocupar-nos.
A proposta da Comissão, que consta de um documento intitulado “Blueprint for a Deep and Genuine EMU” é certamente dos documentos mais perversos que desde sempre saíram daquele órgão comunitário. A propósito de uma suposta garantia de estabilidade monetária, bancária e financeira, propõe uma estrutura institucional de tal forma centralizada que faz parecer a desaparecida União Soviética uma brincadeira de crianças. Para dar só uma pálida ideia deste espantoso centralismo burocrático que a Comissão propõe, basta dizer que, na prática, passaria a ser a Comissão a determinar as grandes linhas dos orçamentos dos estados membros (dos estados pequenos, entenda-se).
A Comissão fi caria também com poderes de fazer recomendações obrigatórias sobre as nossas leis laborais e até sobre o nosso sistema de ensino. Este fi caria subordinado a questões de  eficiência económica. Se, por exemplo, a Comissão considerasse que ensinar Português nas nossas escolas poria em causa a eficiência da economia portuguesa deixaríamos de ensinar Português nas nossas escolas. Passaríamos, também, a pagar um imposto para a União sem o podermos controlar pois os nosso votos valem uma percentagem irrisória dos votos totais do Parlamento Europeu. Perderíamos a nossa representação nacional nas instituições internacionais a começar pelo FMI. Ou seja, ficaríamos com menos capacidade de autogoverno que a ilha de Nauru no Pacífico.

Não sei se as propostas da Comissão europeia irão para diante. Tenho esperanças que não irão. Mas, na eventualidade de serem aprovadas, é o nosso país quer desaparecerá como entidade política, histórica e cultural. Por isso, do meu ponto de vista, qualquer entidade que, em representação do Estado português, aceite tais
propostas cometerá um feio ato de traição.”

João Ferreira do Amaral
Economista

2 Comentários:

Às 01 maio, 2013 20:43 , Blogger alf disse...

eles propõem o que lhes convém; e compram as elites dos outros para aprovar. As elites portuguesas sempre se venderam ao longo da história, não espero que agora venha a ser diferente.

 
Às 03 maio, 2013 23:42 , Blogger O Puma disse...

A canalha ainda anda

à solta

 

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