quarta-feira, maio 23

A ROSA INICIAL

Essa rosa extensa, intacta, tão macia e espessa

essa rosa, sim, ou a lira do teu ventre,

pulso-a, enquanto o corpo se desdobra como  um polvo

magnífico. Todo o pequeno botão do teu umbigo,

essa minúcia mágica, infantil. Sinto a delícia espessa e subtil

de uma cratera quase unida, húmida e ardente, inicial.

Tem um sabor a mosto, a sal, a sangue

e também a salsugem, à quilha de um navio.

Aperto as tuas nádegas pequenas, sólidas, macias,

o mais redondo tesouro, o mais elástico, o mais espesso.

Dulcíssima delícia, ardente e fluida

de contínuos beijos que irrompem em torrente

e se espraiam em plácidas lagunas.

Duas pétalas elétricas formam o teu sexo oval

o centro absoluto da energia mais intensa e mais doce

tumultuosa união violenta partilha

do sangue sagrado que explode como uma rosa submersa.



António Ramos Rosa in “A rosa intacta” (enviado pela Amita, com os meus agradecimentos)


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