terça-feira, abril 27

Um país à deriva

Alguém governa este país? Digo “este” porque julgo que ele há muito deixou de ser “nosso”. Os deputados perdem o seu tempo a averiguar se Sócrates mentiu ou não mentiu ao Parlamento. Quero lá saber se ele mentiu ou deixou de mentir, quero é que governe.

“Génios” que auferem milhões de euros como recompensa por terem administrado instituições falidas têm a “lata” de vir justificar a sua (não)actuação. Outras não estão falidas, é certo, mas se o Estado não tem dinheiro e não tem, para que lhes paga? Deve haver para aí muito desempregado capaz de fazer mais e melhor. Os que se sentem prejudicados ponham o caso em tribunal. Se calhar resolvia-se mais depressa que o mega processo Casa Pia.

O Presidente da República Checa foi pouco cortês para com o nosso País, na pessoa do nosso PR. Não se esqueçam de o convidar a visitar Portugal.

É paralisando o País com greves sucessivas que vamos resolver os nossos problemas, quando se tem o descaramento de exibir uma parada de Ferraris, se calhar comprados pelos proprietários de algumas fabriquetas que abriram falência, lançando na miséria milhares de trabalhadores?

Mas tudo o que estou a dizer se calhar é “demagogia e populismo barato” porque neste momento o que verdadeiramente interessa é o SLB ir ganhar o campeonato de futebol, ou a vida amorosa de Pinto da Costa. Raiva de sportinguista? Não, o que eu quero é ter o mínimo de condições para viver, uma vez que não tenho possibilidades de o poder fazer noutro país.

6 Comentários:

Às 27 abril, 2010 17:16 , Blogger vbm disse...

A mediocridade (e o servilismo, segundo António Barreto) dos deputados nomeados pelos 'aparelhos' partidários para as listas da assembleia da república espelha-se com eloquência na inepta inquirição das "intenções" (brada aos céus!) do 1º ministro se quis ou não quis silenciar o j.e.moniz e a tétrica pseudo-jornalista manuela moura guedes.

Numa altura em que o país se afunda endividado por anos de governação que substituiu o fomento da produção e do trabalho nacional pelo endividamento e subsidiação do estrangeiro ao consumo e despedício esbanjador;

num tempo em que ninguém ousa fazer as leis enxertando as modificações no corpo do direito, republicado por inteiro, como código vigente único - o que é prática obrigatória nos estados unidos;

onde os tribunais não ousam fazer jurisprudência; aceitam ouvir mil testemunhas em processo; os procuradores que dirigem a acusação judicial não são os que, depois, tem a responsabilidade causídica da acusação no tribunal - sendo assim indiferente a quem investiga se o faz ou não com o cuidado de reunir as provas válidas acusação;

num país em que as pessoas que sabem e denunciam o estado de coisas no país - como nuno crato, medina carreira, joão salgueiro e outros - não são convidadas a participar ou assessorar a política da reforma do estado;

num altura em que a resposta à pressão dos mutuantes e credores do estado e dos bancos do país deve ser a drástica redução dívida - nem que para tanto hajam de praticamente proibir-se a importação de bens com preços acrescidos de iva dissuasores ou abolidores desse tipo de gastos ou investimentos;


num tempo de crise assim, os néscios 'paus mandados' dos aparelhos partidários discutem nas comissões de inquérito o sexo dos anjos, com Bizâncio a cair degolada pelos Turcos!

 
Às 27 abril, 2010 19:58 , Blogger vbm disse...

A 'proposta' acima, de aumento do iva das matérias-primas, equipamentos e produtos sem incorporação nacional, é claro delicada por poder arrastar recessão eventualmente seguida de depressão económica e consequente maior défice das contas públicas por razões de solidadriedade.

Mas talvez, buscando a justa medida, a fina distinção entre as diferentes carências de importação, se encontre a medida regeneradora para a monstruosa dívida externa.

É claro que se fizermos isso, os credores internacionais vão espernear por se lhes acabar a vida doce de altos juros na expectativa da segurança do euro.

De qualquer modo, sem redução do endividamento não conseguiremos nada, e não chega exportar mais, é preciso importar menos e produzir e consumir nacional.

 
Às 27 abril, 2010 20:52 , Blogger bluegift disse...

Concordo por inteiro com o que escreves, Peter, e saúdo as propostas do Vasco que me parecem bastante equilibradas para a situação preocupante em que se encontra o país. Não há dúvida que se torna necessário cortar de vez com o clima de telenovela barata em que se transformou o jornalismo político e políticos respectivos. Há medidas de força que têm que ser tomadas e dificilmente serão possíveis no clima de boicote sucessivo da oposição de má qualidade que temos. Será que alguma vez nos iremos livrar destes Berlusconis de fancaria?

 
Às 27 abril, 2010 21:43 , Blogger Peter disse...

vbm

Vasco felicito-te vivamente pelo teu excelente comentário que terminas com "chave de ouro":

"De qualquer modo, sem redução do endividamento não conseguiremos nada, e não chega exportar mais, é preciso importar menos e produzir e consumir nacional."

 
Às 28 abril, 2010 17:45 , Blogger antonio - o implume disse...

A governação de Sócrates promoveu esses géniozinhos de que falas... e o país agoniza.

 
Às 30 abril, 2010 13:32 , Blogger alf disse...

temos uma mentalidade de «consumidores» em vez de «produtores». Enquanto isso não for mudado, não há solução. O consumidor não produz riqueza, produz dívida.

Devia ser ensinado na escola, mas ensina-se o contrário e há muito tempo: produzir não dá estatuto, consumir é que dá; um empresário é um gatuno, o empregado é um santo.

 

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