segunda-feira, janeiro 18

Injustiça Fiscal

De Janeiro a Outubro do ano passado os portugueses terão colocado em paraísos fiscais (off-shores) doze vezes mais dinheiro do que em igual período de 2008. É que, com a crise que rebentou na segunda metade desse ano, muitos investidores fizeram então regressar o dinheiro a Portugal, com receio de um descalabro total.
Agora, passado o pico da crise financeira, voltam a investir nesses off-shores, onde pagam menos impostos. E o que fizeram alguns portugueses, terão feito muitos outros.
Mas é lamentável que os paraísos fiscais continuem a funcionar. Não só porque são abrigo para muito dinheiro “sujo”, proveniente do crime, são usados para financiar o terrorismo e ainda porque os benefícios fiscais dos off-shores configuram algo de injusto.
É que, através dos paraísos fiscais, quem foge aos impostos não é gente pobre. E o dinheiro que os Estados deixam assim de arrecadar tem de ser compensado com receita de impostos, onerando os menos ricos. Este é mais um factor de agravamento das desigualdades económicas e sociais que ameaçam a coesão social das nossas sociedades.

(Francisco Sarsfield Cabral, in “Página 1” de 07/01/10)

6 Comentários:

Às 18 janeiro, 2010 23:34 , Blogger Fernando Vasconcelos disse...

Como diz o Sousa Tavares: Na melhor das hipóteses as off-shore servem como forma de fuga aos impostos ... na pior das hipóteses ... nem vale a pena falar. Obviamente não fazem qualquer sentido existirem. Qualquer. A desculpa do fomento da liquidez é apenas isso: uma grande desculpa.

 
Às 19 janeiro, 2010 00:07 , Blogger Peter disse...

Fernando Vasconcelos

Agradeço a sua explicação até porque não sei, nem me interessa saber porque não tenho possibilidades de recorrer a elas, como funciona isso das off-shores (tenho uma ideia vaga).
Off-shores e enriquecimento ilíquido, não são ideias caras aos dois maiores partidos. Eles lá terão as suas razões...

 
Às 19 janeiro, 2010 12:25 , Blogger Ferreira-Pinto disse...

Meu caro PETER assinalo a utilização do termo "os portugueses" na abertura do texto de Sarsfield Cabral; formalmente correcta, mas apenas formalmente.

Porque, como assinalas, não teress possibilidades de recorrer a elas, eu também não e connosco a esmagadora maioria; que restem 5%. Se isso são os portugueses, então o Sarsfield Cabral tem razão.

Quanto ao recurso às off-shores não há que duvidar ... fuga de impostos e lavagem de dinheiro porque anda por aí muito quem, mesmo fugindo aos impostos, não consiga justificar tanta opulência!

 
Às 19 janeiro, 2010 17:29 , Blogger Peter disse...

Ferreira Pinto

"anda por aí muito quem, mesmo fugindo aos impostos, não consiga justificar tanta opulência"

Talvez seja por isso que os dois maiores partidos não chegam a acordo quanto ao "enriquecimento ilícito"...

 
Às 19 janeiro, 2010 22:21 , Blogger Compadre Alentejano disse...

Mas esses portugueses apenas fazem os depósitos nas "off-shores" através dos bancos a trabalhar em Portugal, ou atravé de escritórios de advogados... e o governo sabem quem são... porque não actua?
Eu sei, outros valores mais altos...
Compadre Alentejano

 
Às 19 janeiro, 2010 23:32 , Blogger Peter disse...

Compadre Alentejano

Os dois maiores partidos que nos últimos anos têm governado o País, têm permitido a situação.
É porque lhes convém.

 

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