domingo, março 4

Sombras de antepassados esquecidos

Aproveitando o interesse despertado pelo vídeo da “bluegift” sobre Carl Sagan, ocorreu-me acrescentar um pouco mais.

Não se pode dizer que Carl Sagan tenha sido um astro-físico. Além de um extraordinário comunicador, foi sobretudo um cientista empenhado em demonstrar como a Ciência e a Civilização cresceram juntas, falando dos homens e das forças que contribuíram para a edificação da ciência moderna, e de que o pequeno texto abaixo é um exemplo.

Todos dependemos uns dos outros, e, como ele dizia:

Se o homem é o único ser vivo no cosmos, então toda esta imensidão infinita (?) é um enorme desperdício de espaço. (Não coloquei entre aspas, por não ter a certeza das palavras exactas que ele utilizou).
Através das sondas Pioneer 10 e 11, a primeira lançada em 02 MAR 1972 e a segunda poucos meses depois, tentou estabelecer contacto com outras civilizações. Para o efeito, as sondas levavam gravada esta pequena placa em ouro e que, na opinião dos cientistas, seria entendida por qualquer inteligência superior.




O contacto com elas apenas foi perdido em 2003 e, neste momento, devem encontrar-se já no “espaço exterior”, a mais de 12.000 milhões de quilómetros (82 vezes a distância da Terra ao Sol).

O texto a seguir é de um dos livros dele de que mais gosto:

“Ao examinar atentamente as numerosas formas de vida da Terra, um biólogo de outro sistema solar daria conta por certo de que elas são todas feitas, quase exactamente, da mesma matéria orgânica e que as mesmas moléculas desempenham quase sempre as mesmas funções, com o mesmo livro de código genético a ser usado por quase todos os indivíduos.
Os organismos deste planeta não só são parentes, como vivem em contacto íntimo uns com os outros, absorvendo reciprocamente os resíduos, dependendo uns dos outros para viverem e partilhando a mesma e frágil camada superficial.”

(Carl Sagan, “Sombras de antepassados esquecidos”)

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13 Comentários:

Às 04 março, 2007 07:39 , Blogger Uma vida... disse...

Este comentário foi removido pelo autor.

 
Às 04 março, 2007 11:17 , Anonymous Anónimo disse...

"Único ser vivo no Cosmos" ?
Oh Peter...Brincamos...

Implacável

 
Às 04 março, 2007 11:30 , Blogger Papoila disse...

Fascinante este artigo. A reprodução da placa de ouro que as Pioneer transportam dando notícia da existência de vida no planeta do Sistema Solar e por outro lado este excerto do livro de Carl Sagan que também mais gosto...
"Os organismos deste planeta não só são parentes, como vivem em contacto íntimo uns com os outros, absorvendo reciprocamente os resíduos, dependendo uns dos outros para viverem e partilhando a mesma e frágil camada superficial."
Beijo

 
Às 04 março, 2007 11:53 , Blogger Peter disse...

"anonymous", distorces completamente o que consta do texto e que reproduz a opinião de Carl Sagan.

O que está escrito é:

"Se o homem é o único ser vivo no cosmos, então toda esta imensidão infinita (?) é um enorme desperdício de espaço"

Às vezes os artigos não devem ser lidos "em diagonal", pois podem originar comentários totalmente opostos ao que se pensa e que eu penso.

 
Às 04 março, 2007 13:09 , Anonymous Anónimo disse...

O homem "único" ser vivo? Insistes?
O que Sagan diz não é isso...
Mas se queres assim, não volto a insistir.
Implacável

 
Às 04 março, 2007 14:39 , Blogger Peter disse...

"anonymous", tens razão. Exprimi-me mal.

CSagan escreveu: "numerosas formas de vida da Terra".

Eu deveria , em vez de ter escrito:

"Se o homem é o único ser vivo no Cosmos ..."

Escrever:

"Se apenas existem formas de vida inteligente na Terra..."

É claro que o Contacto, se alguma vez for estabelecido, será desejável que o seja com organismos pluricelulares multi-complexos, que até podem ter outras capacidades de comunicação diferentes e mesmo superiores, á "inteligência" dos humanos terrestres.

 
Às 04 março, 2007 16:26 , Blogger H. Sousa disse...

Justa lembrança do extraordinário entusiasta Sagan.
Ainda não vi o filme, mas lá irei.
Saúdo-vos, Peter e bluegift.

 
Às 04 março, 2007 19:31 , Anonymous Anónimo disse...

Malcata,data-hora: a do registo
Senhor Peter:
Já somos muito poucos.
Quando estivermos extintos eu aviso.
Lynx pardinus

 
Às 04 março, 2007 22:16 , Blogger bluegift disse...

Peter, o texto é claro. Se o Anonyme não entendeu, paciência; é sinal que a espécie dele caminha para a extinção ;) LOL!

 
Às 04 março, 2007 23:01 , Blogger Peter disse...

"bluegift", ele diz que quando estiver extinto avisa. ;) LOL!

 
Às 06 março, 2007 10:01 , Blogger António disse...

Olá!
Excelente este texto sobre o Carl Sagan e o seu pensamento e acção.

Abraço

 
Às 06 março, 2007 23:27 , Blogger H. Sousa disse...

Belíssima homenagem, gostei imenso de ver. Sagan acreditava, e eu perfilho da mesma opinião, que não estamos sós no vasto universo. Aquela placa foi muito bem pensada, mas se é ou não perceptível a entes inteligentes de culturas diversas, não se sabe. Mas uma boa tentativa de comunicação. A crença na existência de seres inteligentes extra-terrestres pressupõe a certeza de que é inevitável o aparecimento de vida, desde que reunidas as condições para ela. Porquê? Essa é a grande questão.

 
Às 07 março, 2007 23:50 , Blogger Peter disse...

Meu caro "h.sousa", o problema, ou mistério, como queiras, é que mesmo reunidas as condições e ingredientes, falta essa centelha, a VIDA, que faz a transição do inanimado para o animado.

 

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