quarta-feira, janeiro 24

Alfarrabista

De vez em quando dá-me vontade de voltar a ler um livro há muito tempo lido. Algo ficou que retorna à superfície e me impele para o reatamento do contacto.Desta vez foi o “horror”.
A guerra? Não será um termo ultrapassado, quando, por todo o lado vivemos em confrontação permanente?
Não. É um tema que nunca esteve tão actual: a violência, nas suas mais diversas formas, faz parte do nosso quotidiano. É-nos servida diariamente, de preferência ao jantar, que é quando há mais audiência.

A Guerra civil de Espanha, tratada por Ernest Hemingway no seu livro: “Por quem os sinos dobram” tem páginas de uma violência que me marcou profundamente, especialmente a descrição da forma como foram massacrados os habitantes de uma pequena cidade.
O mesmo horror que senti quando me emocionei em Madrid, no Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, perante ”Guernica”:




“E nesse momento consegui espreitar pelas grades e vi a sala cheia de homens que brandiam os cajados e brandiam os manguais, e que espetavam e batiam e gritavam e golpeavam as pessoas com as forquilhas de madeira branca que estavam agora vermelhas de sangue e tinham os dentes partidos e tudo estava assim na sala enquanto Pablo continuava sentado no cadeirão com a espingarda nos joelhos e olhava, e ouviam-se gritos e golpes e havia ferimentos, e os homens urravam como urram os cavalos no meio de um incêndio."

4 Comentários:

Às 24 janeiro, 2007 11:10 , Blogger Paula Raposo disse...

Este comentário foi removido pelo autor.

 
Às 24 janeiro, 2007 17:46 , Anonymous Anónimo disse...

um amontoado de palavras sublimes.
achei magnifico o texto e a imagem.

Beijo meu

 
Às 24 janeiro, 2007 18:36 , Blogger António disse...

Olá, Peter!
Depois de ler o teu post, fui a outro aposento buscar uma obra de Gabriel Jackson com o título "A República Espanhola e a Guerra Civil - 1931/1939" em dois volumes, editada em 1974 pela Europa-América, tendo o original sido editado em 1965 pela Princetown University Press.
Haverá concerteza mais bons livros sobre este importante tema, mas a leitura que fiz deste livro, e já passaram muito anos, fascinou-me pela torrente de informação que me forneceu.

Um abraço

 
Às 24 janeiro, 2007 18:41 , Blogger António disse...

Ahhh...obrigado pelo teu comentário ao meu post do gato-ladrão.
A grande natalidade no pós-guerra tem agora repercursões a nível de custos das reformas, mas há vários outros factores importantes, nomeadamente o grande aumento da esperança de vida.

Abraço

 

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