sexta-feira, março 17

pela enésima vez...


O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Fernando Pessoa

14 Comentários:

Às 17 março, 2006 11:13 , Blogger bluegift disse...

Para bom entendedor, meia palavra basta...

 
Às 17 março, 2006 12:56 , Blogger Peter disse...

O Fernando Pessoa é sempre actual.

 
Às 17 março, 2006 14:12 , Blogger Nilson Barcelli disse...

Poemas desses nunca é demais repetí-lo.
Abraço e bfs.

 
Às 17 março, 2006 14:27 , Anonymous Anónimo disse...

nem mais..


um bom dia p vcs
:)
Lúcia
http://www.photoblog.be/MissLyliaViolet

 
Às 17 março, 2006 14:46 , Blogger Peter disse...

Lúcia

Cruz Celta e as borboletas

Bom fds

 
Às 17 março, 2006 17:29 , Blogger Betty Branco Martins disse...

Olá Bluegift

Lindo poema de Pessoa, que aqui deixaste.

Assim; Te deixo com muito carinho o meu (Poeta Fingidor)





Poeta Fingidor

Quem és tu? Serei eu!
Não são meus, os males e tormentos
Estão na ponta da minha caneta - são teus!
Que mágoas choro eu; que lamentos

Os desamores que escrevo - não são meus
As rosas quero guardar - mas sangram minhas mãos
Sou poeta fingidor! Ou serão todos como eu
Almas tantas, a ponta da minha caneta encontrarão

Folhas em branco sem vida
Papel... qual bola de cristal
Tristes rostos eu vejo - escrevo prova viva
Descrença, infortúnio, dor sem igual

Vejo cair do céu, qual anjo tombado
Continuo a escrever - para a admiração de quem vê
Oiço o toque da trombeta - com mal anunciado
Uso o papel como bola de cristal - entenda e sinta quem lê!


Beijinhos

Bom fim de semana

 
Às 17 março, 2006 18:01 , Blogger bluegift disse...

É isso Betty: entenda e sinta quem lê...
Quem lê quem luta sozinho num mundo onírico, teimosamente belo... mas agreste.

Beijo e um bom fim de semana também para ti.

 
Às 17 março, 2006 18:03 , Blogger bluegift disse...

Peter, nilson, sempre actual...

 
Às 17 março, 2006 18:06 , Blogger bluegift disse...

Lúcia. É, não é ? Mas é triste. Enfim.
Com que então temos um novo projecto, hein ?!

 
Às 17 março, 2006 18:39 , Blogger lazuli disse...

Bela poesia, a do post e a da Betty.
Simplesmente bonito de se ler.

"Os desamores que escrevo - não são meus
As rosas quero guardar - mas sangram minhas mãos
Sou poeta fingidor! Ou serão todos como eu
Almas tantas, a ponta da minha caneta encontrarão".

fernanda g.

 
Às 17 março, 2006 19:35 , Blogger Su disse...

O poeta é um fingidor. /Finge tão completamente/Que chega a fingir que é dor /A dor que deveras sente

como sempre Pessoa éum génio e gosto de lê-lo...

...há tanta gente fingindo ....é triste...mui triste

jocas maradas

 
Às 18 março, 2006 00:35 , Blogger bluegift disse...

Lazuli, felizmente ou infelizmente é tempo de poesia :)

Su, era mesmo aí que eu queria chegar ;)
jocas maradas para ti também :)

 
Às 18 março, 2006 01:17 , Blogger amita disse...

Olá Bluegift
É sempre bom reler e ter presente este poema que tanto encerra. Logo eu que acabo de chegar de uma noite de poesia (lol). Bjinhos e uma flor.

 
Às 18 março, 2006 09:10 , Blogger bluegift disse...

Olá amita. É um poema poderoso, sem sombra para dúvidas. Beijo e bom fim de semana :)

 

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