terça-feira, janeiro 24

Amantes...


Dois amantes felizes fazem um só pão,
uma só gota de lua sobre a erva,
deixam andando duas sombras que se juntam,
deixam um único sol vazio numa cama.
De todas as verdades escolheram o dia:
não se ataram com fios, mas com um aroma,
e não despedaçaram a paz nem as palavras.
A alegria é uma torre transparente.
O ar, o vinho, vão com os dois amantes,
a noite dá-lhes as suas pétalas felizes,
têm direito aos cravos que apareçam.
Dois amantes felizes não têm fim nem morte,
nascem e morrem tanta vez enquanto vivem,
são eternos como é a natureza.

(Pablo Neruda)

19 Comentários:

Às 24 janeiro, 2006 14:20 , Anonymous Maria Papoila disse...

Amantes...
XLVIII de CEM SONETOS DE AMOR...
Beijo

 
Às 24 janeiro, 2006 14:44 , Blogger Isabella disse...

ai ai...(estou a suspirar) que poema Lindo! e com uma ilustração dessas!

beijinho

 
Às 24 janeiro, 2006 15:44 , Blogger BlueShell disse...

Lindo!

Sabes? Hoje estou triste!
BShell

 
Às 24 janeiro, 2006 16:11 , Blogger Peter disse...

maria papoila, " e uma canção desesperada"

Bj*

 
Às 24 janeiro, 2006 16:13 , Blogger Peter disse...

isabella, procuramos agradar sempre às nossas leitoras ( e leitores, já agora ...).

Bj*

 
Às 24 janeiro, 2006 16:16 , Blogger Peter disse...

BShell, estás triste? Nem o post te anima?
Já estás boa da gripe?

Se calhar é o "síndroma post-eleitoral".

Bj*

 
Às 24 janeiro, 2006 16:58 , Blogger alerta disse...

…é como um baile de borboletas,
Vibrando no acasalamento,
Sobre o canteiro das violetas,
Ambas num tremor violento…

São amantes de um momento
Repetindo-o vezes, milhentas,
Como um doce fragmento,
Dessas vidas tão sedentas…


Muito belo, quer o texto, quer a imagem. Gostei! Beijinho

 
Às 24 janeiro, 2006 17:15 , Blogger elsaaaaa disse...

O extremo romântismo deste Chileno; marxista e revolucionário...Porque será que me veio á memória Pinochet!?!Rsssss (Que história rica a de Neruda, o Chile que o dita e Espanha...enfim....Boa semanita e beijinhos

 
Às 24 janeiro, 2006 18:20 , Blogger Manoel Carlos disse...

Ao fazer poemas como quem ama, Neruda eternizou-se.

 
Às 24 janeiro, 2006 21:23 , Blogger Su disse...

gostei
jocas maradas

 
Às 24 janeiro, 2006 21:53 , Blogger lazuli disse...

Peter:

O poema e a conjugação dele com a pintura ..
Um quadro belo, como belas são as pessoas que se amam.

Deixo um poema de Neruda, en su original.

Tantos días, ay tantos días
viéndote tan firme
y tan cerca, como lo pago,
con que pago?

La primavera sanguinaria
de los bosques se despertó,
salen los zorros de sus cuevas, las serpientes beben rocío,
y yo voy contigo
en las hojas,
entre los pinos y el silencio,
y me pregunto
si esta dicha debo pagarla
como y cuando.

De todas las cosas
que he visto a ti quiero seguir
viendo, de todo lo que he tocado, solo tu piel quiere ir
tocando: amo tu risa de naranja, me gustas cuando
estas dormida.
Que voy a hacerle, amor, amada,
no se como quieren los otros,
no se como se amaron antes,
yo vivo viéndote y amándote,
naturalmente enamorado.

Me gustas cada tarde más.
Dónde estará?
Voy preguntando si tus ojos
desaparecen.
Cuánto tarda!
Pienso y me ofendo.
Me siento pobre, tonto y triste,
y llegas y eres una ráfaga
que vuela desde los duraznos.

Por eso te amo y no por eso,
por tantas cosas y tan pocas,
y así debe ser el amor
entrecerrado y general,
particular y pavoroso,
embanderado y enlutado,
florido como las estrellas
y sin medida como un beso.

 
Às 24 janeiro, 2006 22:11 , Blogger Peter disse...

"alerta", penso que o poema e a imagem se completam. Neruda é quase insuperável quando nos fala de "amor", tal como ilustras nos versos que nos trouxeste:

"São amantes de um momento
Repetindo-o vezes, milhentas,"

Bj*

 
Às 24 janeiro, 2006 22:21 , Blogger Joaninha disse...

gostei que gostasses dos versos que escrevi pelo meu alerta.
Beijo de boa noite

 
Às 24 janeiro, 2006 22:27 , Blogger Peter disse...

"lazuli", o belo poema que nos trazes, na sua língua original ( prefiro-o sempre, pois as melhores traduções acabam sempre por deturbar a criação do autor) traz-me algumas reflexões:

"Tantos días, ay tantos días
viéndote tan firme
y tan cerca, como lo pago,
con que pago?
(...)
y me pregunto
si esta dicha debo pagarla
como y cuando."

Uma vez disseram-me que tudo tem um preço, mas que há momentos vividos que valem bem o "preço" a pagar, por mais elevado que seja.

"Por eso te amo y no por eso,
por tantas cosas y tan pocas,"

É um final magnífico, como magnífico é o poema. Encontramos sempre em Neruda algo de nós próprios.

Beijos, aos milhares, como costumas enviar*

 
Às 24 janeiro, 2006 22:48 , Blogger Betty Branco Martins disse...

Neruda... Para os amantes - a benção - é eterna!

Excelente escolha, Peter.

Beijinhos

 
Às 24 janeiro, 2006 23:07 , Blogger Peter disse...

Betty, eu escolho, mas tu escreves. Preferia que fosse o contrário.

Bj*

 
Às 25 janeiro, 2006 13:40 , Blogger polegar disse...

que maravilha! vim retribuir a visita e acho que fico por cá :)

 
Às 28 janeiro, 2006 11:01 , Blogger Peter disse...

"polegar", pois fica. No fundo, isto é quase um fórum, que privilegia o diálogo com quem nos visita, que um blog.

Bom fds

 
Às 28 janeiro, 2006 11:01 , Blogger Peter disse...

"polegar", pois fica. No fundo, isto é quase um fórum, que privilegia o diálogo com quem nos visita, que um blog.

Bom fds

 

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