segunda-feira, dezembro 12

Os gumes da Palavra

A fala
dá a conhecer
o ardor da palavra
o frio fio de seus gumes

A palavra percorre o ar
entra em nosso peito docemente
ou então agudamente
ferindo
agredindo
destruindo tudo

A palavra é
uma vertigem de espuma
mas quando quer
penetra a fractura íntima do sentir
desvenda o imenso mal
o puro escândalo de existir.

(Ana Hatherly in “O Pavão Negro” - Assírio & Alvim)

4 Comentários:

Às 12 dezembro, 2005 02:45 , Blogger yatashi disse...

que belíssimo poema!
Peter, já algum tempo que não liz Ana Hatherly, foi bom reler.

:)
Boa noite
beijo,
lúcia

 
Às 12 dezembro, 2005 02:46 , Blogger yatashi disse...

onde escrevi liz é lia...

 
Às 12 dezembro, 2005 09:04 , Blogger Peter disse...

Lúcia, o blog está a ficar demasiado politizado e com problemas chatos, que não são mais que a "chateza", das nossas vidas.
Vamos ver se o conseguimos "arejar".

 
Às 13 dezembro, 2005 13:12 , Anonymous AsasdoSentimento disse...

A palavra é uma lámina de dois gumes que penetra no coração, umas vezes reconforta, outras fere mortalmente.
É o dom que a palavra tem, na mesma mas com outra entoação podemos demonstrar;
AMOR...
ÓDIO...
LOUCURA...
PAIXÃO... E TUDO MAIS
Através dela somos prisioneiros, ou libertadores de nós próprios.

Muito belo este poema.
Um abraço

 

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