sexta-feira, dezembro 9

Inédito de Fernando Pessoa


(Publicado no “Jornal de Letras”)

A luz que vem das estrelas,
Diz ---- pertence-lhes a elas?
O aroma que vem da flor,
É seu? Dize, meu amor.

Problemas vastos, meu bem,
Cada cousa em si contém.
Pensando claro se vê
Que é pouco o que a mente lê
Em cada cousa da vida,
Pois que cada cousa, enfim,
É o ponto de partida
Da estrada que não tem fim.

Perante este sonho eterno
Falar em Deus, céu, inferno...

Ah! dá nojo ver o mundo
Pensar tão pouco profundo.

(15/11/1908)

5 Comentários:

Às 09 dezembro, 2005 12:29 , Blogger yatashi disse...

Ahh
Belíssimas palavras

E mais não digo:)
Bom dia,
Lúcia

 
Às 09 dezembro, 2005 14:25 , Blogger Peter disse...

Olá Lúcia, já sei que o tempo por aí está espectacular.
E eu sem poder lá ir.

O espólio literário do Pessoa é um poço sem fundo.

 
Às 09 dezembro, 2005 16:19 , Anonymous Maria Papoila disse...

Que belo Poema este ! Fernando Pessoa não se comenta! Beijo

 
Às 09 dezembro, 2005 17:33 , Blogger yatashi disse...

Está frio, Peter, muito frio...
Mas não deixam de estar uns belos dias:)

**

 
Às 09 dezembro, 2005 18:59 , Blogger LetrasaoAcaso disse...

Lindissimo. Como sabes eu até tenho algumas coisas que me impedem de gostar de Pessoa, sobretudo as suas ligações a regimes pouco recomendáveis, o que não me impede de gostar da sua poesia.

 

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