terça-feira, novembro 15

O fio invisível da teia

O fio invisível da teia prolonga-se além da mera distância física, contornando obstáculos, circundando montanhas, voando sobre as copas das árvores, azul intenso imitando o infinito do céu. Desagua na praia dos meus sonhos em águas prateadas pela intensidade uma lua envergonhada projectando tons de ouro sobre marés encrespadas de espumas alvas que se desfazem contra a falésia.

Lá – nessa praia de todos os sonhos – ficarão as marcas de pés lado a lado até à eternidade, caminhando em direcção ao abismo profundo de todas as perdições. Nem a acção do tempo nem todas as erosões apagarão algum dia os sinais deixados no lento caminharem em direcção às águas profundas onde buscámos todos os afectos.

[O observar-te de perfil vendo apenas meio rosto, lábios firmes de contornos bem definidos, belos, a sugerirem trocas salivares e línguas].

Troca de afectos e silêncios; o contraponto: tudo é audível nesse mar de nada, fragmentado em mil espumas brancas resultado do estilhaçarem-se contra a falésia que é o abismo de ambos.

Os traços visíveis são os contornos de vidas desenhadas por lsbirinticas teias, encruzilhadas imateriais, convidando ao desejo de quebrar todas as regras, [apesar da troca do verbo em tons de clandestinidade ser uma aliciante que nos torna ainda mais meninos]

Sublinhar [te] com a intensidade que apenas as grandes emoções permitem, adivinhando [te] contornos à luz difusa de uma noite de maresia.

Lá – na praia dos sonhos – a água revolta beijará os corpos envoltos na loucura da entrega.

[Agarrados] para além da eternidade.

O efémero do conceito de eternidade será isso mesmo: a constatação que apenas este sentir será verdadeiramente eterno.

No ouvido ainda o som celestial da tua voz.

7 Comentários:

Às 15 novembro, 2005 20:52 , Blogger lique disse...

Gosto dessa noção do "efémero do conceito de eternidade". Provavelmente não há mesmo nada mais efémero.
É bom ler-te. Beijos, Zé.

 
Às 15 novembro, 2005 22:49 , Blogger Betty Branco Martins disse...

Olá Zé

Ler-te - para mim - é inspiração.

Eu sei
que há um lugar
por descobrir
onde se chora a ausência do mar
entre
a palavra
o piar das gaivotas
altivo
soltando
a sede do amor

que já não existe
a persistência
do que foi perdido
mãos
que sentimos
bem presas
seguras
nesses corpos
de luz quente
coração flutuando
doirando as estrelas
nos seus olhos
ainda de veludo
acariciam
suavemente
a
claridade
das tuas palavras...

Um beijo

 
Às 15 novembro, 2005 22:54 , Blogger margusta disse...

Querido amigo,
...mais uma vez obrigada...os teus comentários fazem-me bem....

Perdoa mais uma vez não te ler, mas o tempo é tão pouco que só dá para agradecer aos que me visitam...
Outros dias virão...
Beijinhos para ti.

 
Às 15 novembro, 2005 22:57 , Blogger margusta disse...

Voltei ..não resisti em dar uma espreitadela no texto........e digo-te está pura e simplesmente..LINDO.

 
Às 15 novembro, 2005 23:33 , Anonymous Maria Taveira disse...

Os poetas...eternos apaixonados das suas musas...

 
Às 16 novembro, 2005 22:43 , Blogger Su disse...

gostei da tua teia
jocas maradas cheias de fios invisiveis

 
Às 19 novembro, 2005 14:12 , Blogger amita disse...

É sempre um prazer ler-te mesmo na efemeridade dos conceitos que as musas em estilhaços de espelhos te revestem. Um belíssimo texto que transporta sonhos de sol e lua e se desnuda na calmaria das águas do tempo. um bjo e uma flor

 

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