quarta-feira, julho 27

Nas ervas

Escalar-te lábio a lábio,
percorrer-te: eis a cintura,
o lume breve entre as nádegas
e o ventre, o peito, o dorso,
descer aos flancos, enterrar

os olhos na pedra fresca
dos teus olhos,
entregar-me poro a poro
ao furor da tua boca,
esquecer a mão errante
na festa ou na fresta

aberta à doce penetração
das águas duras,
respirar como quem tropeça
no escuro, gritar
às portas da alegria,
da solidão,

porque é terrível
subir assim às hastes da loucura,
do fogo descer à neve,

abandonar-me agora
nas ervas ao orvalho -
a glande leve.

(Eugénio de Andrade)


ESTOU FARTO DE POLÍTICOS!

6 Comentários:

Às 27 julho, 2005 19:16 , Blogger persephone disse...

Um belo poema de Eugénio de Andrade.
Excelente ecolha

Partilho


Concentro-me. Não é visão nem delírio.
Noite. Queita, gelada, serena.
Chá... de camomila.
Concentro-me. Não é solidão nem tristeza nem nostalgia.
Aconchego. Incenso, cera e lume.

deliciosamente, escorrego para o sofá
cruzo as pernas e encosto minha cabeça ao teu peito
suavemente tocas na minha face
pousas a outra mão sob o meu seio
e vagarosamente acaricias com tanta ternura

estremeço, arrepiada
Meu Deus, o cheiro era tão intenso,
o toque era tão denso,
a sensação era tão pouco púdica que dei
comigo enebriada e hipnotizada por tamanho lascivo momento.

sob o luar misterioso
gemo, peço-te por mais
"quero-te" grito


Os dias passam iguais… ou pouco diferentes.
Deixaste um pedacinho de saudade,
uma nostalgia tão amarga quanto doce.
Uma última noite
apenas para recordação'

Um abraço
Rose

 
Às 27 julho, 2005 19:16 , Blogger persephone disse...

erro *Quieta

 
Às 27 julho, 2005 21:35 , Blogger Peter disse...

persephone, obrigado pela colaboração poetica.

 
Às 28 julho, 2005 10:39 , Blogger LetrasaoAcaso disse...

Também prefiro Eugénio...
Abraços

 
Às 29 julho, 2005 19:30 , Blogger amita disse...

NO LUME NO GUME

Vê como a nudez cresce.

Seria fácil pousar agora
no lume
ou no gume do silêncio
se houvesse vento:
mas quem se lembra do branco
aroma da alegria?

Reconheço no vagaroso
andar da chuva o corpo do amor:
vem ferido: nas suas mãos
como dormir?
Como enxotar a morte: esse animal
sonâmbulo dos pátios da memória?

Bago a bago podes colher
a noite: está madura:
podes levar à boca
a preguiçosa espuma
das palavras.

E crescer para a água.

Em lábios muito jovens
a turbulência das folhas
luta ainda com a raiz da água.

Em lábios muito jovens arder é tão lento...

Eugénio de Andrade


Muito lindo o poema publicado. Te mando este grata pela partilha. Bjos

 
Às 31 julho, 2005 20:34 , Blogger Anjo Do Sol disse...

O eterno Eugénio de Andrade. Excelente escolha!

 

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