sábado, janeiro 17

Deus e César

«Provocaram alvoroço palavras do Cardeal Patriarca de Lisboa sobre as dificuldades que jovens católicas poderão encontrar num casamento com muçulmanos. Mas convém reparar noutras questões do diálogo inter-religioso com o Islão e que, directa ou indirectamente, estavam presentes na palestra de D. José Policarpo.

Uma dessas questões é a liberdade religiosa. São cordiais e tolerantes as relações entre a comunidade muçulmana em Portugal e a Igreja Católica. Mas em países islâmicos que aplicam a lei muçulmana, a “sharia”, não existe liberdade de culto para as outras religiões.
Em vários desses países um muçulmano que se converta a outra religião é considerado um criminoso e castigado como tal.

Não existe aí uma clara demarcação entre religião e Estado. O problema já se pôs no cristianismo, mas foi, felizmente, ultrapassado, cumprindo as palavras de Cristo: dai a Deus o que é de Deus e a César o que é de César.

Talvez seja politicamente incorrecto chamar a atenção dos muçulmanos para a falta de liberdade religiosa em muitos países islâmicos. Mas é um ponto fundamental.»

«Francisco Sarsfield Cabral - Jornalista – “Ponto de vista” - Página 1 - Jornal Online jornalonline@pagina1.pt »

13 Comentários:

Às 17 janeiro, 2009 09:10 , Blogger vbm disse...

O Dom José Policarpo
tem imensa classe
e é um homem
desassombrado!

O que ele disse
foi justo ter sido dito.

O conselho foi bom,
náo é obrigatório segui-lo,
só conveniente ouvi-lo.

 
Às 17 janeiro, 2009 11:38 , Anonymous Ashera disse...

Também fiz referencia no meu site a este assunto de suma importância do nosso Patriarca, pessoa muito sensata,por quem tenho uma inexplicável admiração e particular carinho.
Bom fim de semana amigo Peter
Beijos
Aproveita este lindo dia que nasceu para nós :-)
Ashera

 
Às 17 janeiro, 2009 11:52 , Blogger Manoel Carlos disse...

Até cerca de 1.200, quando a Espanha era dominada pelos mouros, havia liberdade religiosa, inclusive na capital Toledo, sem perseguição a católicos, muçulmanos e judeus. Quando os católicos retomaram o controle da Espanha é que voltou a perseguição religiosa. As cruzadas são o principal exemplo de intransigência religiosa transformada em ódio, associada a interesses econômicos e estratégicos.
Ainda hoje, ao menos no Brasil, mesmo a ala "progressista da igreja católica tenta sobrepor o código canônico às leis do estado, não para os católicos, mas para toda sociedade.
Manoel Carlos

 
Às 17 janeiro, 2009 14:02 , Blogger antonio - o implume disse...

Quem não respeita a matriz católica em que nasceu, não respeitará religião nenhuma! Estou de acordo com um comentário: sejamos desassombrados na nossa forntalidade. O maior insulto é o de sermos politicamente correctos, e em nome do que aconteceu, não podemos desculpar o presente!

Se não, desculparemos o holocaustro por que em tempos se fizeram as cruzadas!

 
Às 18 janeiro, 2009 01:39 , Blogger Peter disse...

Manoel Carlos

Leu o texto? Vou recordar-lhe:

"em países islâmicos que aplicam a lei muçulmana, a “sharia”, não existe liberdade de culto para as outras religiões.
Em vários desses países um muçulmano que se converta a outra religião é considerado um criminoso e castigado como tal."

É condenado à morte, e isto é agora, no século XXI e não no sec XXIII.

 
Às 18 janeiro, 2009 01:51 , Blogger Peter disse...

Ashera

Estranho, não vi em nenhum jornal, excepto o "Jornal de Notícias", nem em nenhuma estação de TV, referência a outro aspecto, talvez até mais importante, referido pelo Cardeal:
- a dificuldade em se dialogar com os responsáveis islamitas sobre religião porque estes apenas aceitam a sua como A ÚNICA VERDADEIRA.

 
Às 18 janeiro, 2009 09:11 , Blogger vbm disse...

«[ ] islamitas [ ] apenas aceitam a sua [religião] como A ÚNICA VERDADEIRA.»
____________________________________________

Na América, sociedade multi-étnica, a diversidade cultural e religiosa é submetida à ordem constitucional aplicável a todos igualmente.

John Rawls, filósofo político, defende que as diferentes concepções abrangentes, metafísicas, devem dialogar umas com as outras, recobertas por um véu de ignorância! :) Isto é,

entenderem-se sobre uma ordem social comum
a que cheguem por consenso e mútuo acordo,

ignorando cada um as concepções
dos seus interlocutores
,

de modo que cada um vai verificando o que de mais essencial à sua ética deve ou pode, por acordo com os outros, ser conservado na ordem constitucional!

Assim a América, onde a Constituição dos "Pais Fundadores" se sobrepõe à cultura original das populações imigradas.

 
Às 18 janeiro, 2009 12:07 , Anonymous T disse...

vbm, a questão para mim ultrapassa a religiosidade, pois se as mulheres são agredidas com islamitas, também o são com católicos !

 
Às 18 janeiro, 2009 15:55 , Blogger vbm disse...

Sim, T, a desigualdade social pela diferença de sexo é tão condenável entre os países do Islão quanto nos Cristãos.

Rawls teoriza sobre como contratualizar uma lei - constitucional -, que possa ser aceite por cidadãos de diferentes culturas e concepções morais e religiosas particulares.

Então, imagina os constituintes em negociação multilateral, mas recobertos por um 'véu de ignorância' que lhes esconde as concepções metafísicas particulares.

Assim, por exemplo, como uma discussão na internet, sem que ninguém vá confessar quem é, e se proponha acordar com os demais em regras de convivência razoáveis para todos.

Ora, nessas condições, cada um tentará certificar-se se as regras em que acorda contradizem ou não gravemente os seus princípios morais e buscará alcançar as formas de proceder que menos conflituem com o seu modo e as suas razões de viver.

Essas regras, consensualizadas, serão o máximo denominador comum das concepções filosóficas em debate - porém, estas nunca podem ser invocadas como meio ou forma de argumentação válida entre as partes!

O mais que cada um pode fazer é propor procedimentos que - embora, de facto, por si, deduzidos ou derivados, dos seus princípios e, por conseguinte, com eles conformes - possam ser definidos e defendidos com razões cuja argumentação seja inteligível pelos outros constituintes sem apoio explícito em quaisquer concepções metafísicas particulares.

Qualquer filosofia, ética ou religião é expressamente interdita de ser levada a debate e não pode ser suporte explícito de qualquer proposta: é o famoso véu da ignorância que obriga os constituintes a fundar o seu entendimento em regras objectivas de sociabilidade cujo carácter mais relevante é precisamente a razoabilidade e a tolerância.

Precisamente, o mais notável neste método é que a razão, o ter razão, o modo de entender o mundo - que necessariamente se contrapõe ao que o negue -, é destituído politicamente, por inadequado: a verdade política não se deduz do que a razão aprove mas sim do que a razoabilidade determine.

:))

 
Às 18 janeiro, 2009 15:55 , Blogger vbm disse...

Este comentário foi removido pelo autor.

 
Às 18 janeiro, 2009 15:58 , Blogger vbm disse...

Eliminei o comentário anterior
porque duplicou o último.

 
Às 23 janeiro, 2009 01:22 , Anonymous T disse...

Li, li...grande mas li :) boa música.

 
Às 15 fevereiro, 2009 01:40 , Anonymous maicher disse...

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