quinta-feira, abril 3

Pertinências...

Recebi por e-mail este alegado discurso do 1º Ministro da Austrália.
Não estou em condições de saber se é ou não, ou se é apenas a opinião, uma opinião qualquer de alguém que anda farto destas discussões sobre as multiculturalidades.

Como ando pouco dado à poesia por estes dias, aqui fica o sinal de que algo está a mudar e que a tolerência se está a esgotar, até porque, aparentemente, só tem funcionado num sentido...


Para reflectir.


Discurso do 1º Ministro Australiano à comunidade Muçulmana


Aos Muçulmanos que querem viver de acordo com a lei do Sharia Islâmico foi-lhes dito muito recentemente para deixarem a Austrália, no âmbito das medidas de segurança tomadas para continuar a fazer face aos eventuais ataques terroristas. Aparentemente, o Primeiro Ministro John Howard chocou alguns muçulmanos australianos declarando que apoiava agências-espiães encarregadas de supervisionar as mesquitas da nação. Citação: OS IMIGRANTES NÃO-AUSTRALIANOS, DEVEM ADAPTAR-SE. É pegar ou largar ! Estou cansado de saber que esta nação se inquieta ao ofendermos certos indivíduos ou a sua cultura. Desde os ataques terroristas em Bali, assistimos a uma subida de patriotismo na maioria do Australianos.A nossa cultura está desenvolvida desde há mais de dois séculos de lutas, de habilidade e de vitórias de milhões de homens e mulheres que procuraram a liberdade.A nossa língua oficial é o Inglês; não é o Espanhol, o Libanês, o Árabe, o Chinês, o Japonês, ou qualquer outra língua. Por conseguinte, se desejam fazer parte da nossa sociedade, aprendam a nossa língua!' A maior parte do Australianos crê em Deus. Não se trata de uma obrigação cristã, de influência da direita ou pressão política, mas é um facto, porque homens e mulheres fundaram esta nação sobre princípios cristãos, e isso é ensinado oficialmente. É perfeitamente adequado afixá-lo sobre os muros das nossas escolas. Se Deus vos ofende, sugiro-vos então que encarem outra parte do mundo como o vosso país de acolhimento, porque Deus faz parte da nossa cultura.Nós aceitaremos as vossas crenças sem fazer perguntas. Tudo o que vos pedimos é que aceitem as nossas e vivam em harmonia e em paz connosco. ESTE É O NOSSO PAÍS, A NOSSA TERRA, E O NOSSO ESTILO DE VIDA'. E oferecemos-vos a oportunidade de aproveitar tudo isto. Mas se vocês têm muitas razões de queixa, se estão fartos da nossa bandeira, do nosso compromisso, das nossas crenças cristãs, ou do nosso estilo de vida, incentivo-os fortemente a tirarem partido de uma outra grande liberdade australiana, : O DIREITO de PARTIR. Se não são felizes aqui, então PARTAM. Não vos forçamos a vir para aqui. Vocês pediram para vir para cá. Então, aceitem o país que vos aceitou.(Talvez se fizéssemos circular isto entre nós, entre todos os cidadãos do mundo, encontraríamos o meio de falar e espalhar as mesmas verdades. A comissão Bouchard-Taylor deveria inspirar-se nesta declaração antes de qualquer outra.)


15 Comentários:

Às 03 abril, 2008 11:40 , Blogger carpe vitam! disse...

não, não concordo. cheira-me a xenofobismo camuflado com uma capa politicamente correcta.
acho que O ESFORÇO TEM DE SER MÚTUO. o Terrorismo é o diabo dos tempos modernos que serve para justificar todas as políticas xenófobas e castradoras dos direitos humanos. Mania das pessoas acharem que lá por nascerem num sítio, esse sítio é delas e quem vem de fora ou passa a agir como local, ou não é bem-vindo. Que falta de tolerância! ariqueza humana está sobretudo na multiculturalidade.
Todos iguais, sim, na sua diferença!

 
Às 03 abril, 2008 12:59 , Blogger Belzebu disse...

Julgo que este senhor está a confundir o terrorismo com o direito à diferença e quando assim é, o discurso tresanda a xenofobia! Talvez por atitudes como esta, é que o senhor John Howard perdeu as últimas eleições para o trabalhista Kevin Rudd.

Aquele abraço infernal!

 
Às 03 abril, 2008 18:01 , Blogger vbm disse...

Outro dia ouvi, relembrado pelo Carlos Magno, na sua conversa rediofónica das 3ªas feiras com o Professor Amaral Dias - o pai da Joana Dias, do BE -, uma opinião política de Mário Soares, agora já perfilhada por mais alguns dirigentes: - Que o modo de lidar com os fundamentalistas é o de falar com eles, discutir a situação, negociar compromissos! Realmente, o Ocidente pode claramente adoptar uma posição firme quanto aos valores políticos que perfilha, mas deve, a par dessa firmeza, abrir-se ao diálogo, à negociação. Eu, se bem compreendo lá, os muçulmanos, os sunitas são mais por um estado laico e os xiitas por governo teocrático. Parece que só agora o Bush compreendeu que tem de apoiar-se nos sunitas do Iraque e da Arábia Saudita para conter o Irão. E os curdos do Iraque não podem arvorar-se em donos dos poços de petróleo que lá abundam, antes têm de continuar contidos por Ancara e Bagdad. A Palestina é caso mais sério de resolver, mas se Israel já disse que concordava com o Estado Palestino, não percebo o que falta para um armistício. A Argélia tem-se portado muito bem, e os fundamentalistas, lá, escusam de ganhar eleições que o governo jamais lhes dará o mando. Marrocos, nosso vizinho, deve continuar moderado e o trio Marrocos-Argélia-Tunísia acordar um regime especial de parceria com a União Europeia que tem de legislar não só para o Norte Ártico mas também para o Sul Mediterrânico.
...
:)

 
Às 03 abril, 2008 20:26 , Blogger Blondewithaphd disse...

Bem, atenção que o John Howard já não é o PM australiano. Aliás, o seu sucessor, Kevin Rudd, a primeira coisa que fez foi pedir desculpa aos Aborígenes.
Agora, que quem vai para um país diferente do seu se deve adaptar isso concordo, mas tolerÂncia acima de tudo.

 
Às 03 abril, 2008 22:41 , Blogger herético disse...

não sei do que falas. Austrália é tão longe... rss

abraços

 
Às 04 abril, 2008 10:24 , Blogger Ant disse...

Caros amigos, deixando de lado a questão do Sr. ser ou não xenófobo (para alguns é difícil não o serem...seja lá o lado da barreira em que se encontrem...) imaginem o cenário:

Jantar de amigos e alguma família.
Come-se e bebe-se razoavelmente.
Estamos todos na conversa e de repente acontecem duas coisas:
1. aquele casal amigo desata aos beijos abraços e apalpões por dentro das calças e cuecas. Costumam fazer isso na sua casa e não vêem por que motivo não hão-de (ou há-dem...) fazê-lo ali. Chamados discretamente à atenção (a tia velhota e os pais não se sentem lá muiot bem (sejam quais forem os motivos...) resolvem sair para apanhar ar e repôr as hormonas em dia.
Enquanto isso aocntece o outro casal resolve discutir. Um porque sim, outro porque não, desatam à estalada. Aquilo vai longe e começam a atirar copos e pratos.

Enfim... que fazer? Continuar com o convívio? Acabar de vez com estes jantares?
Seleccionar os convivas?
Tentar explicar que as regras lá da casa não permitem aquele regabofe?

Pontapé no cu e siga pra bingo?...

 
Às 04 abril, 2008 10:59 , Blogger carpe vitam! disse...

make love, not war...

estás a passar do colectivo para o particular, isso é interessante.

que pena as regras da casa não permitirem regabofe! :-(

mas pronto, sabemos que há limites para tudo, à estalada, ainda vá que não vá, agora a loiça lá de casa...

é a velha história da liberdade que termina quando começa a do outro. encontrar a fronteira nem sempre é pacífico, mas há que haver bom senso.

Uma coisa é querermos que respeitem a nossa casa, a nossa cultura, outra é obrigarmos os outros a concordar connosco à força.

Estamos na nossa casa, ok, mas com BOM SENSO de ambos os lados, com um pouco de DIPLOMACIA, com certeza que as coisas se resolvem.

Na tua casa, no teu espaço privado, podes escolher as pessoas que queres que te visitem, no teu país, no espaço público, não é necessariamente assim. Mas se algumas pessoas se portam mal, é legítimo que sejam punidas por isso. Resta saber se portar mal é desatar aos beijos ou à estalada... se é não concordar ou desrespeitar a opinião e a liberdade dos outros.

 
Às 04 abril, 2008 11:03 , Blogger Marta disse...

Tolerância acima de tudo...
Capacidade de negociar, de dialogar...é o que preciso...
Fácil não é...mas às vezes, nem se tenta, não é???
E isso é o problema maior...
Bom texto como sempre...
Beijos e abraços
Marta

 
Às 04 abril, 2008 11:26 , Blogger Ant disse...

Carpe, na minha casa quando há regabofe é para haver regabofe. Nessa altura não há tias nem avós.

Experimenta pensar: construíste uma casa fixe, à tua maneira, num espaço simpático. De repente levas com um grupo qualquer que se acampa à porta e tu ainda tens que pedir licença para passar...

Eu juro que não sou racista nem xenófobo. Acho imensa piada à comida chinesa, às túnicas árabes, às guitarradas ciganas, à dança africana, pelna de sensualidade.

Gosto das cores variadas, dos sons diversos, sotaques vários.
Gosto de falar com budistas, judeus, hindus, muçulmanos. Não me venham é dizer que a deles é melhor que a minha.
que usar burca é melhor que fato e gravata. Que devo ir à praia tapado até aos olhos.

O que me parece é que a diferença entre o hitler e outros líderes benetton é muito pequena.

Nunca trabalhei fora de Portugal. Alguns amigos meus fazem-no. E a creditar no que me dizem há de facto alguma diferença, apesar de tudo.

O que me parece é que o racismo é transversal a todas as culturas e não sei se na verdade o nosso é mais violento que os outros.

 
Às 04 abril, 2008 12:02 , Blogger carpe vitam! disse...

ninguém gosta de ver o seu espaço invadido, seja por quem for. Não é preciso serem ciganos ou estrangeiros, basta serem pessoas mal intencionadas.

isso não é racismo nem xenofobia, apenas o é quando se generaliza, quando se acha que por uma pessoa ser de outra cor ou de outro país nos vai trazer problemas, e se marginaliza sem fundamento.

 
Às 04 abril, 2008 16:17 , Blogger Brisa disse...

Não conheço a realidade australiana, mas guiando-me apenas por este texto, o sr não deixa de ter razão. Se eu não gosto do modo de vida de uma tal casa, não a frequento. Não posso chegar à casa de alguém e impôr a minha maneira de ser e de estar, só porque sou diferente. Talvez se se assumisse que somos diferentes uns dos outros mas não uns piores e outros melhores, os conflitos mascarados de raciais diminuiriam. Não são as raças que se degladiam: são sobretudo as culturas e, ainda mais acima, as religiões. As religiões...

 
Às 04 abril, 2008 22:50 , Blogger Meg disse...

Ó Ant., não esperava rir-me tanto agora como o fiz ao ler o teu comentário... e nem me atrevo a acrescentar mais nada. Ah... só que eu sou uma cidadã do mundo... e tanto mundo!!!

Obrigada por este naco de boa disposição.
Bom fim de semana e um abraço.


Já sei que o som é da Blue...com marulhar de água e tudo. QUe maravilha!

 
Às 06 abril, 2008 01:15 , Blogger Maria Faia disse...

Olá,

Vim aqui parar por indicação de uma pessoa amiga que me referenciou este espaço. Na verdade, depois de me "perder" pelos caminhos das postagens mais recentes, devo agradecer a essa amiga ter-me mostrado este caminho, pois parece-me ser um daqueles que vale a pena a pena ir trilhando.
Reportando-me ao conteúdo do "pseudo" discurso de Jonh Howard, fica-me a sensação que o senhor quiz ser politicamente correcto mas, na realidade é tão xenófobo quanto aqueles que acusa de idêntica característica. Aliás, esta é uma das grandes maleitas de vários dirigentes políticos americanos, do médio-oriente, africanos e até europeus.
Lamentavelmente, ainda está longe demais o pensamento igualitário e tolerante....

Com votos de um Domingo Feliz,

Maria Faia

 
Às 07 abril, 2008 10:40 , Blogger Peter disse...

De Amin Maalouf, li "As Cruzadas vistas pelos árabes", que termina com este texto de uma flagrante actualidade:

"(...) é óbvio que o Oriente árabe continua a ver no Ocidente um inimigo natural. Contra este, qualquer acto hostil, seja ele político, militar ou petrolífero, não é mais que legítima desforra. E não podemos duvidar que a fractura entre esses dois mundos data das cruzadas, ainda hoje encaradas pelos Árabes como uma violação."

 
Às 13 abril, 2008 13:04 , Blogger António disse...

Felizmente o John Howard já foi de vela.
Tem razão em alguns aspectos, mas perde-a ao mostrar que é um tipo que não percebeu que estamos num século diferente: ele ficou no XX.

 

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