quinta-feira, junho 21

A rainha das supernovas

Com o auxílio do telescópio espacial de raios-X Chandra e outros telescópios terrestres, foi detectada a explosão estelar mais brilhante alguma vez registada. Segundo a equipa responsável pela descoberta, esta explosão foi verdadeiramente monstruosa, cem vezes mais energética que uma supernova típica. Acredita-se que poderá ser um novo tipo de supernova há muito procurado, o que significa que a estrela que explodiu poderá ter possuído o limite superior de massa para estes corpos, cerca de 150 vezes a massa Sol, algo que nunca fora observado antes.
A descoberta indica que explosões violentas de estrelas com uma massa extremamente grande, foram acontecimentos relativamente comuns no Universo jovem e que uma explosão semelhante poderá acontecer a qualquer momento na nossa galáxia.

Os astrónomos pensam que muitas das estrelas de primeira geração possuíam massas desta grandeza. A supernova agora descoberta poderá pois proporcionar uma "visão" rara de como as primeiras estrelas morreram. Não existem precedentes na descoberta de uma estrela de massa tão elevada e do testemunho da sua morte.
A descoberta desta supernova, designada por SN 2006gy, fornece evidências de que a morte de estrelas de massa muito elevada é fundamentalmente diferente das previsões teóricas.

Interpretação artística da explosão estelar


Aparentemente, a estrela que deu origem à SN 2006gy expeliu uma grande quantidade de massa antes de explodir. Esta grande perda de massa é semelhante à observada na Eta Carinae, uma estrela de massa elevada presente na nossa galáxia, o que leva a suspeitar que a Eta Carinae poderá estar prestes a explodir.
Embora a SN 2006gy seja intrinsecamente a supernova mais brilhante alguma vez detectada, encontra-se a cerca de 240 milhões de anos-luz da Terra, na galáxia NGC 1260. No entanto, a Eta Carinae encontra-se apenas a 7500 anos-luz de distância da Terra, dentro da Via Láctea.

imagem da SN 2006gy obtida pelo telescópio de raios-X Chandra,


Pode observar-se à direita a SN 2006gy e à esquerda o núcleo da sua galáxia anfitriã, a NGC 1260.

Embora não se tenha a certeza de que a Eta Carinae esteja prestes a explodir, os astrónomos tencionam mantê-la "debaixo de olho". Caso esta explodisse, o fenómeno bem poderia ser o maior espectáculo celeste na história da civilização moderna.

imagem da estrela Eta Carinae, obtida pelo telescópio Hubble,


Geralmente as supernovas ocorrem quando estrelas de massa elevada consomem todo o seu combustível e colapsam por acção da sua própria gravidade.
No caso da SN 2006gy, os astrónomos acreditam que o processo que terá dado origem à explosão tenha sido bastante diferente.
Assim, pensa-se que em certas condições, o núcleo de uma estrela de massa elevada produz uma tal quantidade de radiação gama, que parte dessa radiação é convertida em pares de partículas e anti-partículas. Isto origina a diminuição da pressão no núcleo da estrela, e daí o seu colapso súbito por acção da enorme força de gravidade que possui.
Após este colapso violento, ocorrem reacções termonucleares sem controlo e a estrela acaba por explodir, espalhando os seus restos mortais pelo espaço.

Os dados agora obtidos para o caso da SN 2006gy sugerem que as primeiras estrelas podem ter originado frequentemente supernovas espectaculares, ao invés de colapsarem por completo para um buraco negro como previsto teoricamente.
Em termos do efeito destes dois fenómenos no Universo jovem, existe uma grande diferença:

- as supernovas teriam "poluído" a galáxia com grandes quantidades de novos elementos;
- no caso de colapsarem para um buraco negro, esses novos elementos ficariam "fechados" para todo o sempre dentro desse objecto.

ASTRONOVAS (23MAI07) – Adaptação
Observatório Astronómico de Lisboa - Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa

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2 Comentários:

Às 21 junho, 2007 14:40 , Blogger António disse...

Olá, Peter!
Avisa-me quando for a explosão da Eta Carinae, ok?

Abraço

 
Às 22 junho, 2007 16:51 , Blogger Papoila disse...

Vim ler notícias das estrelas. Tenho andado muito atarefada mas não perco um destes artigos que escreves sobre o cosmos como não perdi nenhum episódio de Carl Sagan...
A explosão da Eta Carinae vai ser um fogo de artifício visivel a olho nu?
Beijos

 

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