quarta-feira, maio 10

L´Amour Fou

Em Dezembro de 1983 a Photo fez sair um caderno especial, fechado, com imagens chocantes de uma rapariga literalmente comida por um rapaz japonês que estava apaixonado por ela.
Passaram muitos anos.
Na altura não se falava em net e muito menos em chats ou blogs. Nem pensar em msn, sms, etc.
As pessoas conheciam-se simplesmente na escola, na rua, num café ou numa festa. Enfim, havia tão e somente o contacto directo, olhos nos olhos.
Mesmo assim, sempre houve pessoas a comerem-se uma às outras, predadoras de afectos e sentimentos que, neste caso, como em outros, foram levados ao extremo da voragem.

Não vou colocar imagens. De facto são violentas e, além disso, motivaram a recolha da revista da qual eu serei um dos, talvez, poucos possuidores.

A voragem não se prende com o canibalismo apaixonado e surrealista de um jovem ignorado pela sua apaixonada.
A voragem de que falo tem a ver com a busca incessante do preenchimento de um vazio através de pequenos nadas que nos alimentam, apenas e só, o desejo de possuir o outro e transformá-lo em “meu”.
Quando na verdade não há “meu”. A condição de posse é uma ilusão que, como todas as ilusões, é efémera.

6 Comentários:

Às 10 maio, 2006 18:32 , Blogger {-Sutra-} disse...

Inteligente a tua questão e o teu artigo.
Já agora, nunca te tinha visto por cá. Parabéns ao blog, fizeram uma boa «aquisição» de alguém que me parece ser despretencioso, o que é muito bom.

Abstenho-me de falar no canibalismo, até porque nem é isso o mais importante a destacar, mas antes o sentimento de posse no amor.
Mas eu pergunto - amor pressupõe posse?
Não!
Amor é liberdade. Posse é egoísmo, comodismo.
Dizer «tu és meu e eu sou teu» é algo usual entre um casal de amantes. Mas não no sentido de posse e sim no sentido de liberdade - eu sou tua, livremente tua, em espírito, em amor.
Não enquanto pertença. :-)

Gostei ;-)

Beijo quente

 
Às 10 maio, 2006 20:47 , Blogger Papoila disse...

Ant não falando nesse distúrbio de literalmente ter comido o sentimento de posse não tem muito a ver com o verdadeiro sentimento do amor, sempre livre mas muito mais com o egoista amor próprio. Gostei deste artigo. beijo

 
Às 11 maio, 2006 00:27 , Blogger Peter disse...

"sutra", não me digas que ainda não conhecias a nossa nova "contratação"?
Custou-nos "os olhos da cara".

Beijo*

 
Às 11 maio, 2006 11:25 , Blogger Ant disse...

Peter, espero o cheque com a primeira tranche. Pode ser algures em qualquer local onde se beba um copo hehehehe.

Quanto aos vossos comentários, não poderia estar mais de acordo.
A questão é que há por este mundo fora quem não esteja.

 
Às 11 maio, 2006 13:06 , Blogger Heloisa B.P disse...

"A voragem de que falo tem a ver com a busca incessante do preenchimento de um vazio através de pequenos nadas que nos alimentam, apenas e só, o desejo de possuir o outro e transformá-lo em “meu”.
Quando na verdade não há “meu”. A condição de posse é uma ilusão que, como todas as ilusões, é efémera."
.................................Inteligente e sabia conclusao!
Gostei de todo o Artigo (escrita sobria, mas motivadora.Faco destaque da conclusao, porque se assemelha ao meu proprio modo de pensar!
Saudacoes de
Heloisa.
*********

 
Às 14 maio, 2006 21:25 , Blogger Su disse...

só podemos possuir coisas, não pessoas.....anda muita gente enganada:))

jocas maradas

 

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