domingo, dezembro 18

Perséfona


Perséfona: — Sobre este véu azul de dobras intermináveis, bordo, com a minha agulha de marfim, as figuras inumeráveis dos seres e de todas as coisas.
Terminei a história dos Deuses: bordei o Caos terrível de cem cabeças e mil braços. Dele deverão surgir os seres mortais.
Quem, então, os fez nascer? O Pai dos Deuses disse-me que foi Eros. Mas nunca o vi, ignoro a sua forma. Assim, quem me pintará o seu rosto?

As ninfas: — Não penses nisso. Porquê essa vã questão?

Perséfona (levanta-se e afasta o véu): — Eros! O mais antigo e contudo o mais jovem dos Deuses, fonte inesgotável de alegria e choro — pois, assim me falaram de ti — deus terrível, o único desconhecido e invisível dos Imortais, o único desejável, misterioso Eros! que perturbação, que vertigem me assalta ao teu nome!

O coro: — Não procures saber mais. As questões perigosas foram a perdição dos homens e mesmo dos Deuses.

7 Comentários:

Às 18 dezembro, 2005 01:42 , Blogger lazuli disse...

Peter, antes que adormeças guarda este presente de natal para ti...

Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar.

Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.
Guitarras guitarras. Ou talvez mar.
E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.

Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
No teu ritmo nos teus ritos.
No teu sono nos teus gestos.
Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
E nos silêncios infindos. Na tua noite e no reu dia.
No teu sol acontecia.

Era um sopro. Era um salmo. Nostalgia nostalgia.
Todo o tempo num só tempo: andamento
de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva

na cidade agitada pelo vento.

Natal natal diziam. E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tmpo num só tempo: nascimento de poesia.

"Natal" - de Manuel Alegre

 
Às 18 dezembro, 2005 10:04 , Blogger Peter disse...

lazuli, agradeço sensibilizado a tua prenda de Natal: por vir de quem vem, por ter sido escrita por quem foi e pelo texto em si.
Um bom Domigo e que aprecies o texto grego, como eu apreciei.

Bj*

 
Às 18 dezembro, 2005 13:53 , Blogger yatashi disse...

Persephone :)
Estudei algumas figuras gregas há bem pouco tempo.
Muito interessante

Um bom domingo,
Lúcia

P.S. E o sol continua a brilhar.

 
Às 18 dezembro, 2005 15:45 , Blogger Peter disse...

Lúcia
Um belo dia para ir almoçar ao António, em Porto de Mós. Gosto imenso de estar a almoçar e a ver o mar.
É uma época complicada, em que estamos sempre a ser solicitados para isto e para aquilo. Agora só para Janeiro.

Ainda devemos contactar antes, mas deixo-te já aqui uns votos de Bom Natal, na companhia de todos os que te são queridos e umas boas entradas em 2006.

 
Às 18 dezembro, 2005 16:55 , Anonymous asasdosentimento disse...

Caro Peter assim, sim, voltamos aos velhos tempos, não tão velhos assim !!!
Belissima escolha do poema de Lazuli, encantador por sinal, parabens.

Um Abraço

 
Às 18 dezembro, 2005 19:15 , Blogger Peter disse...

asasdosentimento, a Lazuli é uma visitante diária e também uma óptima colaboradora.
Estamos a procurar "arrepiar caminho".
Aproveito a tua visita que agradeço, para te desejar Boas Festas, na companhia de todos os que te são queridos e um melhorzito 2006 (não é pedir muito ...)

 
Às 12 agosto, 2006 15:59 , Anonymous Anónimo disse...

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