segunda-feira, setembro 19

Big Bang

No estado actual dos nossos conhecimentos científicos, a teoria que explica melhor a origem do universo é a do Big Bang.

Pensa-se que o universo apareceu há cerca de 15 mil milhões de anos numa fulgurante explosão a partir de um estado inimaginavelmente pequeno, quente e denso, que teria igualmente dado origem ao espaço e ao tempo. Depois, o universo ficou (e continua ...) em expansão e foi-se diluindo e arrefecendo.

Chegou-se a esta teoria após o astrónomo americano Edwin Hubble ter observado, em 1929, que a grande maioria das galáxias se afastavam da nossa, tanto mais rapidamente quanto mais longe dela estavam. Deduziu-se então que todas as galáxias gastaram exactamente o mesmo tempo para chegar do seu ponto de origem à sua posição actual. Se fosse possível rebobinar o filme dos acontecimentos, todas as galáxias se reencontrariam num mesmo ponto do espaço, no mesmo instante.

O Big Bang teve dificuldade em ser aceite porque:

- Na época estava em voga a teoria do “universo estacionário” (steady state), de três conceituados astrónomos britânicos: Hermann Bondi, Thomas Gold e Fred Hoyle, segundo a qual o universo não teria nem princípio nem fim e seria, em termos médios, sempre idêntico a si mesmo no espaço e no tempo.
(A descoberta no princípio dos anos 60 dos “quasars” e das “radiogaláxias”, cujo número parece diminuir à medida que a idade do universo avança e a descoberta, em 1965, da “radiação fóssil”, viriam a contradizer a hipótese de um “universo estacionário”, com uma maior aceitação da teoria do Big Bang).

- Em 1951, o Papa Pio XII identificou o Big Bang com o “fiat lux” da Bíblia, o que colocava os astrofísicos pouco à vontade, por causa das suas conotações teológicas.

Evidentemente que qualquer teoria não é definitiva, tem “buracos”, que os cientistas ignoram, se ela der resposta a outras questões. É o caso do BB, que permite explicar o afastamento das galáxias, a existência da radiação fóssil, ou a composição química das estrelas.

Mas existem muitos problemas por resolver, como por exemplo este, que já abordámos acima:

- Como é possível que regiões outrora independentes, tenham hoje a mesma temperatura e a mesma velocidade de expansão, dentro duma precisão superior a um por mil, se não houve tempo suficiente para que se tivessem podido realizar trocas de calor e de energia entre elas? Tal implicaria velocidades de expansão superiores à da luz.

Para tentar dar-lhe resposta surgiu em 1979/81 a Teoria Inflacionária, segundo a qual o universo teve, no instante inicial, um breve período de inflação, ou expansão, extraordinariamente rápido. Os seus autores: Alan H. Guth e Paul Steinhardt publicaram, em 1984, um artigo sobre a sua “Inflationary Theory” no Scientific American.
O intervalo de tempo em causa é muito pequeno – uma rápida expansão desde os 10^-35 segundos, até aos 10^-33 segundos.

A ciência permite-nos recuar até ao instante da Criaçâo?

A resposta é negativa. Por agora, existe um muro do conhecimento chamado “tempo de Planck”, 10^-43 de segundo, quando o universo tinha o “comprimento de Planck”, 10^-33 de centímetro.Todas as leis físicas perdem credibilidade para lá deste "muro de conhecimento".

A física conhecida começa então 10^-43 de segundo depois do Big Bang. Pode ser que quando se conseguir conciliar a Relatividade com a Física Quântica encontremos a "pedra filosofal", a Teoria Unificada tão afanosamente procurada, que nos dará resposta a estes problemas, até surgirem outros ...

Etiquetas:

5 Comentários:

Às 19 setembro, 2005 00:54 , Blogger Peter disse...

Meus caros anónimos:
os leitores que vão aparecendo por aqui são portugueses. Quanto a mim ainda consigo ler o inglês, mas escrevê-lo dá muito trabalho e eu não estou para isso.
Não estou pois interessado nos v/produtos.

 
Às 19 setembro, 2005 09:03 , Anonymous zezinho disse...

Ainda temos um longo caminho a percorrer...

 
Às 19 setembro, 2005 10:06 , Blogger Peter disse...

Zezinho, sabes bem que gosto bastante destes assuntos, aos quais tenho dedicado muito do meu tempo.
A maior parte dos n/leitores não apreciam, mas outro dia li num dos blogs que constam dos n/links (não me lembro qual) um post sobre o assunto.
Tal levou-me a desenterrar este post, que publiquei há alguns anos no Fórum "Astronomia" do SAPO e em que introduzi algumas alterações.
Estou convencido que a "bluegift" vai reagir ...

O "caminho" a percorrer é interminável. Teorias que acabam por ser abandonadas, ou que levam a outras, tudo está interligado.

P.S. - Sabes alguma coisa da Anjo do Sol?

 
Às 19 setembro, 2005 12:21 , Blogger bluegift disse...

Bom Dia Peter. Estou mesmo em visita à velocidade luz ;)
Estes comentários anónimos em inglês são spam. Eu tenho-os apagado quando surgem nos meus posts pois são altamente poluidores.
Sobre a "isca" lançada ;)
Como sabes, o João Magueijo fala na hipótese da velocidade da luz ter ultrapassado o limite estabelecido por Einstein durante os momentos iniciais do BB, e que este não quiz alterar nos últimos anos da sua vida, embora já considerasse a possibilidade.
Hoje aceito melhor a ideia da existência do fenómeno BB, mas isso porque essas teorias têm sofrido várias actualizações que fogem bastante da ideia inicial de um ponto "expansivo". As teorias quânticas e mesmo as da "realidade virtual", assumem cada vez mais um formato consistente com a "realidade" observada. Acho que a teoria unificada nunca esteve tão perto. Mas lembraste do que afirmava o MGasolino? (onde anda ele?) Se nós estamos na "escala superior" de complexidade da inteligência terrena, como é que alguma vez vamos conseguir compreender (ver, intelegir) uma escala de inteligência superior como é a do Universo? Nunca meu caro. Nunca. Mas podemos para lá continuar a caminhar, isso sim, sempre nos vamos entretendo... :P

 
Às 19 setembro, 2005 12:32 , Blogger Peter disse...

Bluegift, sempre mordeste a "isca" ...

Obrigado, passarei a apagar o "spam".

 

Enviar um comentário

Subscrever Enviar comentários [Atom]

Hiperligações para esta mensagem:

Criar uma hiperligação

<< Página inicial