Que pode um homem só em frente ao mundo?
O DIA DENTRO DA NOITE
A nossa história não cabe numa lágrima.
Oh coração, oh coração alegre
onde sempre se encontra a Primavera,
Oh longa terra e mar de nosso amor
onde em verdade cabe a nossa vida!
Que pode fazer um homem que só tem
alguns cigarros, um lápis e uma pena
face a face com a noite,
a meio do silêncio?
Que poderá fazer com suas mãos,
seus lábios, beijos da namorada,
palavras que aprendeu pelos caminhos,
lágrimas e risos que transporta,
que guarda, troca, entrega
no ofício diário de viver?
Que pode um homem só
em frente ao mundo,
em frente a um mundo para tudo preparado?
Que pode um homem com seus medos,
suas canções, seus vómitos?
Que pode um homem só que só possui
um lápis, um papel, um coração
outra coisa fazer além de um mundo novo?
(António Rebordão Navarro)


6 Comentários:
A menina pó de arroz
A menina pó de arroz,
Nascida à beira do mar
Com o oceano nos olhos
E com sorrisos de lua
Nos seus lábios pequeninos
Que nunca ninguém beijou,
A menina pó de arroz,
Com seus cabelos de cobre
Onde o vento vem brincar,
Assoma à sua janela
P'ra ver a noite estrelada,
Para ouvir os sons da noite,
Para beber o luar.
Para ter em suas mãos
Macias, longas e brancas,
A noite tépida e branda,
A velha noite calada.
A menina pó de arroz,
Que por uma abreviatura
Do seu nome arrevesado
É chamada entre família
Por um nome miudinho
De marca de pó de arroz,
Com seu corpinho de fada
Que saiu de alguma fonte
Que há pouco perdeu o encanto,
Com a cabeça nas mãos,
Enquanto na casa dormem,
Veio pôr-se na janela
Para que a noite a beijasse.
A menina pó de atroz
Estará enamorada?
Abraços
Um homem pode fazer muito com o seu pensamento.
Mas armado com um lápis eum papel, pode mudar o mundo...
"Letras", outro poema do António Rebordão Navarro. Publiquei o outro tentando fazer uma conexão com Che Guevara.
mfc, tens razão, por isso eu sempre disse e repito, que os blogs podem constituir uma força de pressão.
Sabíamos do mar sem o sabermos
Sabíamos do mar sem o sabermos,
do mar dos mapas, da cor azul do mar,
dos naufrágios no mar,
do sol solto no mar.
Sabíamos do mar sem o sentirmos
nos poros dilatados pelo mar,
o verdejante mar escalando as montanhas
tão bruscas como o sal.
Sabíamos do mar em sinuosos sinos
assinalando a noite
com corações arrepiados,
abertos como mãos
sulcadas de cabelos e molhadas
de rugas e escamas.
Sabíamos do mar em signos, símbolos,
tropos e metáforas.
Sabíamos do mar?
Sabíamos o mar.
Sabíamos a mar
Bjo, Peter
Amita, poetas que eu vou descobrindo, muitos deles desconhecidos do grande público e que vocês, publicando novos poemas, aumentam os meus conhecimentos.
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