domingo, julho 31

Corpo de Borboleta


Imagem - recebida por mail, desconheço o autor



No início era apenas um corpo.
Uma lagarta recolhida na sua crisálida, escondida do negro espelhado da noite.
Alheia ao sol do dia mais claro. Enrolada, ali permanecia enquanto o tempo por ela passava.
Dias que se faziam noite e noites que se faziam dia.
Pelas frestas da seda envolta em si mesma, espreitava as luzes e cores de que o mundo é feito.
Via rostos alegres de felicidade esculpidos. Observava a tristeza de faces mergulhadas em cores de dor e mágoa.
Meneava-se no seu leito de espera e não entendia a razão de estar confinada naquelas paredes de seda tecidas.
Sentia-se só. Sabendo que não o estava.
Revolveu entranhas e viu que ele sempre esteve consigo.
Faria sentido que agora o seu interior tão interior que não consegue saber se existe, fosse revelado ao mundo.
Estende dedos de solidão encarquilhados. Rasga o novelo do embrião em que existe.
Respira e sente a frescura de uma nova vida.
Na escuridão do seu conhecimento ofuscada pela luz exterior do casulo, ela tenta libertar-se pela galáxia.
Não quer ficar mais tempo naquela prisão de enganos.
Sente que um dedo lhe toca.
E outro.
Uma mão.
Cálida, meiga, serena.
Descerra a cortina que lhe encerra os olhos e sente o vento que lhe semeia um sorriso na face.
Agarra aqueles dedos como se deles dependesse o nascimento do seu novo eu. Um ser renascido.
Sai do casulo feito de seda que a protegia. Envolvia.
Ou simplesmente a aprisionava.
Já não está só.
Transforma-se na mais bela magia de cores, saída da cartola daquele mágico.
O seu mágico.
Aquele que a trouxe de regresso à vida.
Pintam-se estrelas de todas as cores pelos Céus.
De entre as asas multicolores dela, vislumbram-se dois corpos unidos pelo encontro e reencontro de corações que se havia antes desencontrado. Descobrem-se e redescobrem-se.
Cristalizam-se em estrelas que rodeiam a mais iluminada Lua.
Ela deixou de se sentir só. Ganhou vida e asas para poder voar livremente de coração preso ao dele.
Ele viu o sorriso que havia perdido ser-lhe devolvido.
Ela regressou.
Basta-lhe.

Anjo do Sol

4 Comentários:

Às 31 julho, 2005 22:09 , Blogger BlueShell disse...

Como sempre um texto lindíssimo. Grata pela visita. Estive fora 9 dias, só regressei hoje!
Beijos muitos, BShell

 
Às 31 julho, 2005 22:14 , Blogger {-Sutra-} disse...

Anjo, obrigada pela tua visita.
Já recebi a do Peter15 e agora a tua :-) Fixe!
És uma anja, não és? Acho que o Peter15 disse algo assim.
O texto é teu? Tem o teu nome em baixo. Escreves muito bem.
É um texto muito bonito, como eu gostava de saber escrever assim de forma tão poética.

Beijo doce

 
Às 01 agosto, 2005 04:35 , Anonymous Anónimo disse...

Você saiu do casulo e fez o regresso em grande estilo.
Manoel Carlos

 
Às 02 agosto, 2005 02:24 , Blogger Anjo Do Sol disse...

Obrigada Blue! :)

Sutra, sou uma sim e o texto também é meu. Muio obrigada pelos elogios. Também gosto muito de ler o que escreves, embora tenha lido pouco ainda, devido ao pouco tempo que tenho.

Manoel, obrigada pelo elogio :)

Bjitos a todos

 

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