terça-feira, novembro 11

Por quanto tempo?


Embora não sendo prof mas tendo passado pelo ensino, compreendo os seus problemas, tanto mais que tenho familiares que por lá continuam à falta de melhor, sabe Deus com quanto sacrifício para eles e para os seus familiares. É um sacerdócio e só assim se justifica que ainda haja anualmente jovens a tentarem o seu ingresso.
À falta de melhor, têm espírito de sacrifício.

Desde sempre que os profs sempre foram uma classe odiada, mas não invejada pelos seus concidadãos. Os três meses de Férias Grandes eram considerados um ultraje pelo “povo trabalhador”. Sim, porque os Profs não são povo trabalhador, mas são-no a empregada doméstica, o pintor, o canalizador, o mecânico auto… tudo trabalhadores que auferem mensalmente quantias superiores a um professor.
E quando chegam ao fim da sua jornada de trabalho diária, dispõem plenamente de si próprios, enquanto o Prof nem sequer tem tempo de dar um beijo ao marido, ou/e ao filho, pois tem de ir a correr fazer o jantar, ou o marido já o fez, para ela se poder dedicar à preparação das lições do dia seguinte, a fazer ou a ver provas de avaliação dos alunos, ou a preencher papéis do moroso e burocrático processo “chileno” de avaliação (parece termos voltado ao tempo do Victor Alves…) descoberto pela srª ministra.
E isto para não falar das horas tardias a que chegou a casa, depois de reuniões e reuniões infindáveis e normalmente improdutivas. Apenas “partir pedra”.

E como o Estado não cumpriu com as suas obrigações e não iniciou “ab início” a reforma do ensino, começando pelas creches e jardins de infância, tudo desabou em cima do “pasmado” Prof.
Depois de “funcionarem” como “baby-sitters” e como professores, ainda virá o tempo de terem de preparar as refeições para os alunos.
E vai daí manifestam-se nas ruas com uma vontade inquebrantável que a força da razão lhes confere. Por quanto tempo?
É um autêntico “braço de ferro” o que se trava entre a ministra da Educação, por enquanto apoiada pelo sr Primeiro Ministro e os Profs, uns “seres desprezíveis, uma escumalha”, que ousou protestar e não uma classe digna que continua a ser cada vez mais profundamente injustiçada.

No dizer do sr Primeiro Ministro (in “PÚBLICO” de hoje) “o perfil da situação social dos professores será melhorado, quando os portugueses souberem que, tal como outros profissionais, também eles são avaliados”.
Então o sr Primeiro Ministro está a dar-me razão: para “o povo trabalhador” o Prof “anda pelas ruas da amargura”e precisa de ver o seu perfil social melhorado. Com a devida vénia, desculpe o sr Primeiro Ministro mas está a distorcer o problema quando pressupõe que os Profs não querem ser avaliados, “tal como os outros profissionais” o são. O que está em causa não é a recusa da avaliação por parte dos Profs, mas sim a do sistema aprovado. Poderei e até o admito, está a ver mal o problema, porquanto sou um “outsider”, mas a minha formação universitária permite-me apreender com isenção e sem descambar para aspectos partidários, que também os há, o que verdadeiramente está em causa. O sr Primeiro Ministro, encarando partidariamente a questão, argumenta que as reacções dos partidos significam apenas a “esperança de ganhar uns míseros votos” (in “PÚBLICO” de hoje).
Não serão assim tão “míseros”, atendendo a que são 120.000 professores, mais familiares e amigos.

Por mim, “já mandei virar a casaca”…

10 Comentários:

Às 11 novembro, 2008 02:43 , Blogger Olhos de mel disse...

Oie lindo! Essa é uma classe realmente, desrespeitada. Aqui é do mesmo jeito.
Boa semana! Beijos

 
Às 11 novembro, 2008 09:24 , Blogger Peter disse...

Minha "musa do amor"

Tens razão, tanto aí como cá, é uma classe desrespeitada, por isso, embora não sendo prof, saí em sua defesa.

Um bom dia pra vc meu bem!

 
Às 11 novembro, 2008 13:28 , Blogger antonio - o implume disse...

Depois da formação, o que faz mesmo falta à malta é a avaliação... proponho que comecemos pelosgestores públicos, Vitor Constâncio, etc...

 
Às 11 novembro, 2008 13:46 , Blogger Peter disse...

Não sou prof, já fui, quando vi em perigo a sobrevivência.
Os profs sempre foram avaliados pelos inspectores.
Tudo bem. Eles aceitam a avaliação, mas não esta de inspiração chilena+ burocracia portuguesa.

Quanto a Vitor Constâncio, pelo que tenho lido nos jornais e se os mesmos forem verdadeiros,já há muito que deveria ter sido demitido.

É o incoveniente das maiorias parlamentares. Como digo no "post": "já mandei virar a casaca".

 
Às 11 novembro, 2008 15:47 , Blogger vbm disse...

O Victor Constâncio deixa-me perplexo. Nogueira Leite, ontem na TV1, apodou-o de "pastoso" no estilo! LOL. Bem, Constàncio era um promissor macroeconomista no tempo do Marcello Caetano e, em 1977, foi, em governos de Mário Soares e sob a espada de Dâmocles do FMI, um financeiro pertinente que agregou o escudo à disciplina cambial da balança de pagamentos, fazendo vigorar no mercado bancário uma taxa de juro, alta ou baixa, não importava, mas conforme à situação internacional da economia portuguesa. Ou seja, repudiou todos os mecanismos de falseamento da situação real da economia portuguesa. Esse mérito, teve-o e é um ponto nobre do seu currículo.

No presente, porém, o seu retrato não é realmente positivo... Há tempos, quando soube que ele ganhava um ordenado anual maior do que o de Alan Greenspan, no FED, fiquei escandalizado. Como é possível um banco central insignificante, membro do BCE, ganhar mais do que o responsável pelo FED dos Estados Unidos, país do dólar, moeda de reserva e de pagamento internacional!?

Posteriormente, deflagrou a crise financeira generalizada, pondo em causa a banca de investimentos, que não era controlada como a banca comercial e de depósitos. Greenspan foi interrogado pelo Senado, com reponsável pela regulação que falhou. Pediu desculpa, reconheceu ter errado. Porque confiou indevidamente no zelo e cuidado que os accionistas, os imediatos interessados, teriam na solvabilidade e racionalidade na condução dos negócios em proteger os seus próprios interesses.

(Esqueceu-se que os gestores pagos com prémios anuais chorudos, segundo os lucros que nominalmente declarassem, ano a ano, eram indiferentes a falência futura das empresas, depois de arrecadada a volumosa maquia da própria reforma!)(Em Portugal, foi Joe Berardo quem lutou contra este esquema de Jardim Gonçalves)

Não sei o que Constâncio vai alegar hoje em sua defesa na Comissão Parlamentar. É provável que diga que hesitou em levantar a lebre de nota negativa à gestão de um banco que poderia fragilizar todo o sistema. Pode também alegar que quis dar uma oportunidade a Cadilhe de resolver o problema chamando os accionistas dos bancos.

Não sei o que vai dizer. Não lhe ficaria mal seguir as pisadas de Greenspan e reconhecer que errou na apreciação que fez da situação objectiva... Mas, receio bem, Nogueira Leite ter razão: «Constâncio foi pastoso no exercício dos seus deveres». Deverá vir a ser demitido. Mas, primeiro, que se instaure processo juidicial contra Oliveira e Costa et alter contra falência fraudulenta do BPN, que difícil é que não o tenha sido, posto que ocultaram as perdas com operações fictícias em sociedades off-shore.

 
Às 11 novembro, 2008 16:08 , Blogger Peter disse...

Vasco

Pelo seu conteúdo, este texto é demasiado importante para ficar aqui esquecido num comentário.
Parece-me que com uns retoques (para não nos entalarmos) devias publicá-lo.

Espero que sim.

 
Às 11 novembro, 2008 17:11 , Blogger heretico disse...

gostei de ler o texto. tens toda a razão no que afirmas...

apenas não percebi o que por lá o Victor Alves embrulhado em burocracia e papeis...

abraços

 
Às 11 novembro, 2008 17:30 , Blogger bluegift disse...

Para mim Portugal parece-me cada vez mais surrealista; mais do que isso: histérico! Deviamos ser mais sensatos e calmos na resolução dos problemas, talvez a eficácia e o bem estar geral aumentassem.

Estou também curiosa quanto ao discurso do Vitor Constâncio, porém, não posso deixar de assinalar a verdadeira tempestade que está a passar pelos bancos Belgas, Holandeses, e tantos outros do centro da Europa Ocidental. Nada comparável à, apesar de tudo, elevada estabilidade da banca portuguesa.

 
Às 11 novembro, 2008 18:50 , Blogger Peter disse...

heretico

Foi Min Educação no período a seguir ao 25/4 e adepto do sistema chileno de educação. Conheço-o pessoalmente.

 
Às 11 novembro, 2008 18:57 , Blogger Peter disse...

bluegift

Tarde ou cedo, mas antes das eleições, Sócrates será confrontado com o dilema: segurar a ministra ou manter a maioria e não me parece que ele opte pela primeira.

"elevada estabilidade da banca portuguesa", pelos vistos ainda acreditas no Pai Natal...

Mas afinal quem arranjou o blogue? LOL

 

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