sexta-feira, junho 24

A jogar às escondidas no Cosmos – Parte II

Uma estrela de neutrões pode estar localizada dentro da SN 1987A, sem estar a atrair matéria e sem emitir radiação suficiente para ser observada.

Observações efectuadas puseram de parte a possibilidade da existência de um pulsar no interior da (SN) 1987A. Mesmo que os feixes do pulsar não estivessem "apontados" à Terra, eles iluminariam as nuvens de gás circundantes.
No entanto, as teorias prevêem que após uma explosão de uma supernova, um pulsar pode levar entre 100 a 100.000 anos a formar-se, pois a estrela de neutrões tem de criar um campo magnético suficientemente forte para despoletar os feixes. A SN 1987A poderá ser muito nova para possuir um destes objectos.

Como resultado, a única maneira de os astrónomos detectarem o objecto central seria procurando evidências de matéria a cair para uma estrela de neutrões ou um buraco negro. Esta acreção poderia realizar-se de duas maneiras: numa acreção esférica na qual a matéria cai vinda de todas as direcções, ou numa acreção de disco na qual a matéria proveniente de um disco em torno do objecto compacto move-se em espiral em direcção a ele.

Os dados do Hubble puseram de parte a acreção esférica devido ao facto de a luz resultante desse processo, se ocorresse, ser suficientemente intensa para ser detectada, o que não se verifica. Se uma acreção de disco está em decurso, a luz que esta produz é muito débil, o que significa que o disco em si terá pouca massa e uma extensão radial pequena.
A falta de radiação detectável também indica que a taxa à qual a acreção de disco ocorre é extremamente pequena: por ano, menor de 1/5 da massa da Lua.

Na ausência de uma detecção definitiva, os astrónomos esperam aprender mais acerca do objecto central estudando as nuvens de poeira que o circundam. Esta poeira absorve a luz visível e ultravioleta e volta a radiar a energia no comprimento de onda dos infravermelhos.

Estudando esta luz "reprocessada", espera-se encontrar o que está a fornecer energia aos despojos da supernova iluminando assim as poeiras. Observações futuras a realizar pelo telescópio espacial Spitzer, da NASA, deverão providenciar novas pistas para a natureza do objecto escondido.

Observações adicionais do Hubble também poderão auxiliar à resolução deste mistério. O Hubble é o único observatório existente com a capacidade de resolução e sensibilidade requeridas para o estudo deste problema.


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Observatório Astronómico de Lisboa
Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa

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