sábado, novembro 16

Miguel Sousa tavares


Na coluna de opinião, que semanalmente assina no semanário Expresso, o escritor Miguel Sousa Tavares afirma este sábado que “ao pé da decomposição europeia” a que temos assistido nos últimos tempos, “os males de governação” em Portugal “não passam de subcapítulo de uma tragédia maior”. O comentador político refere ainda que o Governo e o Presidente da República, ao contrário do que alertou Mário Soares, não serão “derrubados pela violência” porque “os portugueses sabem que de pouco serve mudar”.
O escritor e comentador político, Miguel Sousa Tavares, escreve este sábado sobre ‘o fim do euro’ tendo em conta o actual contexto em que, “com 7% de superavit nas suas contas públicas, enquanto à sua volta quase todos os parceiros do euro afundam em défices, a Alemanha está sentada numa pilha de dinheiro”.
Este facto, refere, em “nada aproveita ao euro, nada aproveita aos seus parceiros e nada aproveita à própria Alemanha”, excepto se está “a apostar já no fim do euro e a tratar de entesourar para o dia em que a bomba nuclear rebentar”.
“O caminho seguido pelas troikas e pelo FMI, a reboque da Alemanha, foi de uma estupidez tamanha que ficará registado nos anais da história económica”, considera Miguel Sousa Tavares, sublinhando que “só podia desembocar, como desembocou, no desastre absoluto. E, paradoxalmente para os seus defensores, no aumento das dívidas dos Estados”.
Mas “andam para aí alguns membros do Governo muito contentes” com a descida do desemprego e o crescimento da economia no terceiro trimestre, para o escritor apenas um “sinal de que batemos no fundo e, obviamente, números absolutamente insuficientes para evitar, sequer, o crescimento da dívida”. Pelo que, “só nos resta crescer para fora da zona euro e da Europa” através do “esforço louvável das empresas exportadoras”.
Sousa Tavares diz duvidar que a “Alemanha queira defender a Europa”, até porque “Merkel é uma mulher sem mundo, sem cultura europeia,” e “dali não virá nada, a menos que a Europa se revoltasse contra ela”. Acontece que, questiona, como poderá revoltar-se “uma Europa com líder como Holande, Cameron, Rajoy ou Durão Barroso?”.
Pelo que, conclui, “ao pé da decomposição europeia a que vamos assistindo, os nossos males de governação não passam de um subcapítulo de uma tragédia maior. (…) Que o Governo é mau, incompetente e inexistente na esfera europeia, é um facto à vista de todos. Que, apesar disso e da situação europeia, há coisas em que temos de mudar de hábitos, é outro facto. (..) Mas o Governo e o Presidente não serão ‘derrubados pela violência’ se não se saírem bem, como prevê Mário Soares”.

E isso por “três razões (…), apesar de tudo, há uma maioria que não prescinde de viver em democracia, (…) a alternativa chama-se António José Seguro, e os portugueses sabem que de pouco serve mudar de Governo ou de Presidente se a Europa não mudar de políticas”, remata Miguel Sousa Tavares, no artigo que assina hoje no semanário Expresso.

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