domingo, março 12

As pequenas gavetas do amor


Se for preciso, irei buscar um sol
para falar de nós:
ao ponto mais longínquo
do verso mais remoto que te fiz

Devagar, meu amor, se for preciso,
cobrirei este chão
de estrelas mais brilhantes
que a mais constelação,
para que as mãos depois sejam tão
brandas
como as desta tarde

Na memória mais funda guardarei
em pequenas gavetas
palavras e olhares, se for preciso:
tão minúsculos centros
de cheiros e sabores

Só não trarei o resto
da ternura em resto desta tarde,
que nem nos foi preciso:
no fundo do amor, tenho-a comigo:
quando a quiseres -

(Ana Luísa Amaral, IMAGIAS")

5 Comentários:

Às 12 março, 2006 01:53 , Anonymous Anónimo disse...

'Meticulosamente, tento decorar o teu rosto com carícias. Quero que fique marcado nas minhas mãos, para depois espalhar tinta sobre elas e pintar pelas paredes da cidade {o teu rosto cravado nas mãos}
Lá fora anoiteceu, o mar está deliciosamente belo, revolto. Chove. '
Lúcia Pereira

Lembrei-me



Lindo este poema de Ana. Uma poetisa soberba.
Boa noite,
Lúcia

 
Às 12 março, 2006 10:41 , Blogger maat disse...

Peter, sabia que os comments do seu outro blog estão inacessíveis?


Um bom domingo.


***maat

 
Às 12 março, 2006 11:11 , Blogger Peter disse...

"maat", não compreendo, pois tem lá comments. Vou ver o que se passa.
Obrigado pela informação.

 
Às 12 março, 2006 11:17 , Blogger Peter disse...

"maat", desculpe mas está tudo OK.

Bom Domingo, está um lindo dia.

 
Às 12 março, 2006 12:42 , Blogger MARTA disse...

Lindo, Peter.
Gostei muito. Também tenho novos posts no meu blog - vai lá ver!
Bom domingo. O dia está a estragar-se por estas bandas.
Um xi
Marta

 

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