segunda-feira, novembro 28

Do sonho

Desafiar a gravidade com pequenos pingentes de gelo transparente e dar a todo o movimento – perpétuo? – a sensação de inutilidade, cristalizar momentos em pequenos folículos inusitados ouvindo [te] e o “deixar ir” na suavidade que se imprime a vozes, desafiando toda a imaginação, percorrendo os caminhos do corpo que se adivinha, se deseja e em última análise se possui.

[És minha pela inteligência, pela arte – que nos une – pelos sentires que estão para além da compreensão]

A posse como elemento de contraponto à entrega que se quer etérea, desvanece-se nessa intranquilidade de todos os amantes.

O constatar da ausência como fórmula única e intransponível da partilha ou em jeito de pólo oposto o saber que este amor está para além da posse.

Amar além do amor, finalidade abstracta que retrata a verdade absoluta da busca em detrimento da razão, sempre inimiga de todas as emoções.

Rendilhar [te] palavras que se mostram insuficientes perante a avalanche de sentires que [nos] assaltam é tarefa árdua, já que nenhum verdadeiro amor se pode traduzir com a limitação das letras.

O abstraccionismo como forma última de entender o que não se explica.

[Ontem desnudei-te] num tremendo desafio à imaginação. Percorrer-te o corpo [adivinhado] mergulhar nele e fazer de todos os sonhos uma realidade, sentindo aromas, fluidos, mãos que se tocam em desespero, a praia que parece esfumar-se em encruzilhadas de prata, deixando aqui e ali, salpicos e estilhaços na areia que se quer molhada onde os corpos ficaram impressos.

“Sugar Mountain” e Neil Young a preencherem o silêncio com a visão alucinada de planícies vastas em que um simples olhar não basta para divisar a linha ténue do horizonte. Para lá desta, o ilimite, o sonho, o beijo, a entrega desenfreada, o consumar de todos os momentos que reuniremos apenas num.

Talvez se possa morrer de felicidade. Porém, os braços permanecerão apertados em torno do outro. Eternamente apertados.

“Tracy Chapman” e “Holy Night” completam o som que nos serve de fundo nessa entrega que ambos queremos final. A última entrega, o último amor.

Rendilhar [te] palavras que se mostram insuficientes perante a avalanche de sentires que [nos] assaltam é tarefa árdua, já que nenhum verdadeiro amor se pode traduzir com a limitação das letras.

7 Comentários:

Às 28 novembro, 2005 22:33 , Blogger Su disse...

amei ler.te
"Talvez se possa morrer de felicidade. Porém, os braços permanecerão apertados em torno do outro. Eternamente apertados."
jocas maradas de mar

 
Às 28 novembro, 2005 23:59 , Blogger Betty Branco Martins disse...



O sonho... que nos faz viver.

Seguindo a “viagem” das tuas palavras – com paragens em portos de amor/paixão – muito mais para além dos sonhos – sentimentos transcendentes.

Belíssimo...

Um beijo

 
Às 29 novembro, 2005 00:05 , Blogger Micas disse...

E como tu sabes dizer o "Amor"... Um texto pleno de beleza, nada a que não nos tenhas habituado já.
Beijos

 
Às 29 novembro, 2005 00:21 , Anonymous Anónimo disse...

Será amor isto que leio?

*
Lúcia

 
Às 29 novembro, 2005 00:23 , Blogger lazuli disse...

Uma obra prima da arquitectura das palavras, onde a luz e a sombra se tornam superfícies de contacto que renovam, na clareza do projecto, o espaço infinito da realidade..

Um rendilhar de palavras para além daquele limite, do limite seguinte, de todos os limites, num espaço onde não há nada de certo a não ser a súbita passagem das sensações.

Um beijinho, Zé.

*

 
Às 29 novembro, 2005 00:43 , Blogger Margarida V disse...

obrigado pelo comentario, gostei que tivesses visitado o meu blog.
e tu vives em Italia?

 
Às 29 novembro, 2005 08:58 , Blogger bluegift disse...

Ora, um muito bom dia! :)

 

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